O Dr. Alberto João Jardim finalmente disse o que eu já esperava há muito tempo. Possivelmente esta declaração faz com que saia da vida política da Madeira pela porta grande. Revelou ao programa "Terça à Noite" da Rádio Renascença como foi criada a dívida da Madeira, dizendo que "qualquer pessoa com bom senso, ao olhar para o funcionamento dos mercados internacionais, principalmente logo a seguir à queda do muro do Berlim, vê que o mundo capitalista perdeu o juízo e que se entrou num sistema de especulação em que não houve valores e princípios para travar este clima especulativo". Dito isto, finalizou que a dívida da Madeira foi criada propositadamente; segundo as suas próprias palavras: "Endividei-me antes que isto desse o estoiro".

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"Antes que houvesse uma nova crise, como houve no princípio do século passado, nós tínhamos que fazer depressa aquilo que precisávamos de ter para sermos uma terra desenvolvida", disse o ex-líder madeirense.

De há uns anos a esta parte, existiu sempre a dúvida de como surgiu a dívida madeirense e tudo apontava para uma má gestão, facilitismo e favorecimento desmesurado às empresas de construção. Esta declaração peca por tardia, sendo que devia ter sido feita logo que o "buraco" financeiro da Madeira foi exposto.

Sempre concordei que o Governo Regional tivesse esta posição; é certo que a forma como foi criada a dívida pode ser classificada como de extrema irresponsabilidade, mas possivelmente foi a única forma de a Madeira dar o salto que deu. A dívida da Madeira não desapareceu, e quem visita a Madeira pode ver onde esta o dinheiro da dívida.

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O período de governação do Dr. Alberto João na Madeira deixou uma grande dívida, mas também "obra feita", dando condições ao madeirenses e a todos os que os visitam que doutra forma não teriam sido possíveis.

Cada geração tem a sua influência. A geração actual tem como propósito corrigir os erro deixados pela anterior, mas erros existiram sempre. E certamente que gerações vindouras terão a sua influência na vida madeirense, trabalhando todos para uma Madeira melhor e escolhendo sempre o melhor caminho, quando possível. A evolução é contínua e a vida política cíclica. Neste caso não se pode aplicar o ditado "quem vem atrás que feche a porta".