Quase nenhum amante do desporto rei ficou indiferente ao regresso do Boavista ao escalão máximo do #Futebol nacional. A grande maioria, é certo, foi (e é) contra a recolocação dos axadrezados na Primeira Liga, direito conquistado pelo clube em todos os processos judiciais em que esteve envolvido. Esta repulsa, quase ódio pelo clube e pela decisão da justiça desportiva, pode ter muitas origens. Mas a mais provável é o receio que o retorno da pantera provocou nos seus adversários. Afinal, o Boavista foi o primeiro campeão nacional de futebol do século XXI e ameaçou directamente a hegemonia dos três grandes, Benfica, FC Porto e Sporting, ao mesmo tempo que abriu um fosso para os até aí rivais habituais, Sp.

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Braga e V. Guimarães.

Esperava-se esta reacção dos adeptos, movidos mais pelo coração do que pela cabeça. Não se esperava, no entanto, o mesmo de opinadores e profissionais ligados ao futebol. Muitos deles fizeram fila para se oporem publicamente ao facto do Boavista voltar ao topo. Tiraram senha e expuseram razões para justificar que o Boavista deveria continuar afastado, longe da I Liga, ficando assim longe de criar problemas aos outros clubes. Expuseram as suas razões, que nenhum juiz, desportivo ou civil, conseguiu identificar. Estranha posição pública adoptada por esses profissionais. Ou não, pois também eles são adeptos, e certamente não do Boavista.

No início da época, na habitual antevisão à competição, quase todos se apressaram a crucificar a pantera.

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Todos a julgaram moribunda, sem a habitual garra. Houve mesmo quem se tenha atrevido a escrever "se o Boavista escapar ao último lugar, será um milagre". 

O campeonato começou e todos se regozijaram com as normais dificuldades dos axadrezados na adaptação a uma realidade diferente. Três jogos, três derrotas, zero golos marcados e muitos sofridos. Mas depois veio a primeira vitória e logo de seguida o empate em pleno estádio do Dragão, casa do milionário FC Porto.

Soou o alarme e todos começaram a olhar de lado para este Boavista, regressado, em crescimento, a aprender a combater na elite do futebol. Jogadores, equipa técnica, estrutura dirigente, todos vinham de uma realidade oposta, amadora, claramente sem preparação para a nova vida da pantera.

Mas com enorme esforço, com ajustes cirúrgicos, treinadores e jogadores evoluíram de tal forma que o Boavista começou a ser visto como um exemplo. De como o dinheiro não é tudo e que no início são sempre 11 contra 11. E lá dentro conta a alma e isso não falta à pantera. Nem alma, nem garra!

A estrutura mantém-se, quiçá, o "calcanhar de Aquiles", talvez insuficiente para as exigências. Mas os resultados, o que realmente conta, apareceram, a equipa segue a meio da tabela e com boas perspectivas. Contra tudo e contra todos, a pantera segue, forte e voraz!