Quem conhece a Região Autónoma da Madeira e Porto Santo, sabe que é conhecida não só por ser um Jardim, mas também pelo seu carismático e polémico líder Alberto, há 37 anos à frente do destino dos Madeirenses. Pois bem, nesta pitoresta ilha apregoa-se que o Jardinismo per se acabou. Que a mudança de liderança no PSD Madeira é já por si uma grande vitória para o paradigma social e político Madeirense. Que a oposição nunca dispôs de melhor oportunidade para poder experimentar as lides governamentais. 

 Para as eleições de 29 de Março, foram apresentadas 6 candidaturas. Está ainda pendente a candidatura do JPP (Juntos pelo Povo) do ex-socialista Filipe Sousa.

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Independentes concorrem PSD, CDS-PP, PND e Bloco de Esquerda, havendo duas coligações: A CDU aliada aos Verdes e ao PCP, e a coligação Mudança composta pelo PS, PTP, PAN e MPT, sendo esta última a força com mais garantias de poder lutar com os Sociais-Democratas.

Como cabeça de lista para as eleições, o PSD apresenta o recém eleito Miguel Albuquerque, antigo presidente da Câmara Municipal do Funchal, defensor da renovação não só do PSD-M como também dos destinos da Ilha. É esse pelo menos o mote da sua campanha.

Na sua lista de candidatos à assembleia regional, de facto Albuquerque aposta na renovação de quase 80% dos nomes apresentados; no entanto, permanecem Miguel de Sousa (membro do governo cessante e concorrente de Albuquerque nas Partidárias), Sérgio Marques (Antigo eurodeputado pela Madeira e também concorrente de Albuquerque nas partidárias), entre outros nomes do antigo executivo.

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A impressão que deixa é que os "jobs for the boys" continuam, que até os antigos concorrentes directos são incluídos na lista candidata (Sérgio Marques é nº2). No mínimo peculiar.

Na Coligação Mudança, Vítor Freitas é o candidato escolhido a Presidente do Governo. Abordou com certeza todas as forças da oposição para se juntarem à sua coligação, conseguindo juntar o Partido Trabalhista de José Manuel Coelho, que já foi candidato à presidência da República, o PAN e MPT. Quis o destino ditar que na altura em que as hostes oposicionistas precisavam de juntar, rebentasse a discórdia sobre quem tem a melhor mão para segurar a batuta. O CDS-PP de José Manuel Rodrigues e o PND recusaram a liderança de Vítor Freitas, afirmando que faltam capacidades inatas de liderança ao jovem candidato, privando assim os socialistas de possivelmente 15 a 20% dos votos. CDU/PCP/Verdes e BE poderão obter até 10%. Vítor Freitas arrisca-se a bater-se num duelo sem munição.

O tempo é de (suposta) evolução mas os resquícios do jardinismo e da sua propaganda continuam.

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Uns vão votar na Mudança, qualquer que seja ela, outros vão votar naquilo que foram convidados a votar, quase sem olhar, porque na verdade já lhes disseram qual o quadradinho onde fazer a cruz. Quem disse que a democracia não sabe ser paradoxal?

Que se entenda, o que a Madeira precisa é de indivíduos responsáveis e competentes, que saibam gerir as enormes potencialidades da nossa ilha. Não de uma gestão à "cosa nostra" coroada por uma infestação de betão, desperdício e apropriação de fundos de fundos comunitários, para apenas deixar buracos orçamentais. E por falar em "cosa nostra", as eleições estão marcadas para um dia em que muita gente estará ausente da ilha a gozar as suas férias da Páscoa. De novo, peculiar.

A esperança é a de que o vencedor esteja à altura das extensas reformas que o governo regional necessita e que tenha a coragem de as aplicar, porque sinceramente não interessa se a Madeira será um jardim de laranjeiras ou de rosas, o que interessa é que se torne um jardim melhor para todos.