O produtor musical americano Emile Haynie, muito activo nos bastidores e presença constante no encarte de discos de sucesso, adora detalhes. O nova iorquino iniciou a sua carreira quando produziu um trabalho de Proof, em 2006. Trabalhou também com Raekwon ou Comega e remisturou o tema Maria de Michael Jackson, incluído no álbum de 2009, The suite remix. Ganhou um Grammy pelo álbum Recovery, de Eminem, em 2010. Foi, no entanto, com Lana del Rey que Emile deu mais nas vistas, ao produzir o álbum Born to die, de 2012. Ainda colaborou com Kid, Cudi, Fun e Bruno Mars. Esteve, portanto, por detrás de alguns dos maiores êxitos musicais na última década.

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Mas 2015 haverá de marcar uma nova era na carreira de Haynie. Finalmente o produtor decidiu sair da retaguarda e avançar para um álbum próprio. A 19 de Janeiro foi editado pela Interscope Records o disco We fall, que conta com enormes participações de nomes como Brian Wilson, Rufus Wainwright, Lana del Rey, Charlotte Gainsbourg, Lykke Li, entre muitos outros.

É um disco soberbo, brutal, por todas as atmosferas que consegue criar, à boleia dos génios tão diferentes dos convidados.

Abre com Falling apart, quase um hino, resultado pop da intervenção de Brian Wilson no tema, que conta igualmente com o toque de Andrew Wyatt, dos Miike Snow, ao ponto do tema parecer saído de algum disco da banda sueca. Segue com Little ballerina, um belo tema ondulado pela voz de Rufus Wainright.

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Ao número 3, um dos pontos altos do disco: Wait for me, cantado pela inconfundível Lana del Rey. Uma canção brilhante, das melhores mesmo da sua carreira. Ambiente inconfundível, negro, nostálgico e arrepiante. Dirty world é a primeira de duas canções a solo de Emile Haynie. E não se sai nada mal, muito ao estilo da abertura do disco. Não é brilhante, mas a melodia, com uma forte carga emotiva conferida pela orquestra, cativa. Termina com um monólogo de Lana del Rey.

A kiss goodbye volta a atirar o disco para o topo. A participação brilhante de Sampha (colaborador dos SBTRKT), da magnífica interpretação de Dev Hynes, dos Blood Orange e da belíssima e sensualíssima Charlotte Gainsbourg, fazem deste tema uma das razões para considerar o álbum como algo muito importante em 2015.

Fool to me, cantado por Nate Ruess (Fun), pode ser considerado o ponto fraco do disco: musiquinha demasiado pop, demasiado "pastilha elástica", não vai ficar na memória de ninguém. Podia muito bem ter ficado reservada para um próximo disco da banda americana.

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Segue-se uma junção de talentos que poucos esperariam. A Andrew Wyatt junta-se o veteraníssimo Colin Blunstone, dos Alan Parsons Project. Daí resulta Nobody believes you, um tema simples, mas que resulta bem.

Em Come find me, bum! Quando se junta a genialidade de Emile Haynie, à guitarra de Romy Madley Croft (The xx) e à voz de Lykke Li, algo de mágico se cria. Completamente arrebatador como a simplicidade deste tema consegue criar uma envolvência única.

Who to blame é a surpresa que se segue, não tanto pelo resultado final, mas por contar com a colaboração do também veterano compositor Randy Newman, conhecido por ser responsável por inúmeras bandas sonoras para filmes.

Na recta final do disco surgem Ballerina's reprise e The other side. A primeira conta com as vozes de Father John Misty e de Julia Holter (Nite Jewel), numa canção muito agradável. O último fôlego é da inteira responsabilidade de Emile Haynie, como que a reafirmar que este é um disco seu. Mais uma vez suportado por uma magnífica orquestra, Emile fecha com mais um hino, que nos leva para um mundo mais bonito que este, para um outro lado.

We fall é um disco inesperado, louco, quase esquizofrénico, fruto de tantos e tão diferentes colaborações. Mas, talvez por isso mesmo, não deixa de ser um dos melhores trabalhos dados a conhecer até agora em 2015. Surpreendente. #Música