O fenómeno "As Cinquenta Sombras de Grey" sempre foi algo que "me passou ao lado". Lembro-me perfeitamente da altura em que houve um enorme êxito com os livros, mas não liguei. Na verdade, na altura estava mais preocupado com a faculdade do que com o êxito de mais uma saga. Mas recordo-me de ter sido confirmada a adaptação ao cinema e, aí, as vendas dos livros ainda cresceram mais.

Quando dei por mim estava em dezembro de 2014 e a pré-venda tinha começado. Uns dias antes do filme estrear, tinham sido vendidos mais de 47 mil bilhetes! Eu não comprei na pré-venda mas decidi ir ver o filme na semana de estreia. Fui com a mente aberta. Todas as críticas que li prendiam-se com a falta de erotismo e cenas sexuais. Então achei, honestamente, que ia gostar, pois não ia ver o filme por isso. Fui. Cheguei à sala de cinema mesmo a tempo da publicidade. E todo o fenómeno começou aqui. Se achava que não, eu confirmo: este filme é mesmo um fenómeno de marketing. A publicidade pré-filme foi toda (tirando a do Banco Popular, que passou duas vezes) a remeter ao universo sexual de Grey. Era a marca de preservativos, era a marca de objetos sexuais, etc. Aliás, lá pelo meio até houve tempo para publicitarem um site de encontros online.

Começou o filme. Começou e eu pensei: "Vá lá, vais gostar". E tentei, mas não consegui. Os primeiros 30 minutos são clichê atrás de clichê. Em duas cenas, praticamente seguidas mas em cenários diferentes, a personagem feminina mete o lápis (literalmente), dado por Mr. Grey, encostado aos lábios e tenta fazer um movimento sexy com a boca. Um movimento sexy que se repetiu com o morder de lábios, sempre feito em grande plano, não fosse passar ao lado do espectador - revela-se importante, mas era tão mal feito que parecia sempre ruído. A trama (não disse história, já vou explicar porquê) continuou. Anastacia não evoluiu na primeira parte. É apenas uma personagem frágil, semelhante a Bella (de Twilight). Curiosamente, Mr. Grey aparece sempre em todo o lado, não fosse isto um filme cheio de clichês. No meio disto tudo, as partes que achei mais interessantes foram as sexuais . o que se torna irónico, porque é aquilo que toda a gente criticou. E achei que foram as mais interessantes porque ainda foram as que conseguiram explicar "a história".

Um filme de 2 horas com uma história mínima pode ser considerado um filme? Se formos ver bem, as críticas a "As Cinquenta Sombras de Grey" remetem apenas para a falta (ou excesso) das cenas sexuais. Porque o fenómeno é todo sobre isso. Ninguém quis saber da história, toda a gente quer saber da parte sexual (pelo menos meteu as mulheres a falar de um tema que, até então, era tabu, o que é bom). E sim, percebi a pouca história depois de me explicarem, mas é estranho terem deixado isso para 2º plano. Vamos lá ver como será o segundo filme da trilogia.