Que o mundo enlouqueceu, acho que toda a gente (que se importa minimamente com o que acontece a nível humano) sabia. Porém, parece-me que nos últimos anos se perdeu, quase por completo, o controlo da situação. Guerras a torto e a direito, actos terroristas por "dá cá aquela palha", execuções só porque sim, famílias que se exterminam sabe-se lá porquê. Entre outras situações bastante desagradáveis para serem nomeadas!

Posto isto, pergunto: não chegam já os atritos e as consequências da crise, que ainda se fazem sentir para sermos "bombardeados" com situações destas quase diariamente? Não teremos aprendido nada com os actos execráveis do passado? Com exemplos históricos como o Holocausto (ainda há dias foi "celebrada" a libertação do campo de Auschwitz), o 11 de Setembro, o 11 de Março, etc. Era já tempo de se ter posto a mão na consciência! Mas aparentemente a racionalidade é algo muito subvalorizado e a prova disso são os ataques perpetrados contra o Charlie Hebdo no início do mês passado. Nenhuma crença ou ideologia justifica estas barbaridades e há que respeitar aquilo em que cada povo acredita e que o torna diferente dos outros!

Se escrevo neste tom de fúria é porque me revolta a facilidade com que as pessoas se esquecem daquelas coisas que enriquecem a vida e se prestam a conflitos que só originam sofrimento e sentimentos que jamais deviam ser sentidos por almas inocentes. Por tudo isto é preciso dizer "Basta!" e "Não!" à violência e à maldade contra inocentes, à guerra e aos actos terroristas, ao abandono e ao desespero, às crianças sem pátria. Mas para o conseguir é preciso que as pessoas se compadeçam umas das outras e como sociedade global lutem para pôr termo aos actos nefastos a que temos assistido nos últimos meses; sermos cidadãos do mundo, não de um único lugar. A preservação parte de cada um de nós, se tivermos coragem para a dar o primeiro passo necessário, se formos humanos o bastante.

Deste modo faço um apelo, com laivos de desafio: lutemos por um mundo melhor, ensinando as novas gerações de que o conflito e a maldade não resolvem coisa alguma, a dialogar, a compreender e a preservar as oportunidades e lições que a vida nos dá, a respeitar a simplicidade e a não terem pressa de fazer tudo de uma vez, porque tudo tem o seu tempo, o seu lugar, a sua razão de ser, mas num mundo mais saudável. Não deve haver espaço para sentimentos corrosivos que levam a actos execráveis.