Terminada a jornada carnavalesca dos três habituais dias de farra e folia obrigatórias, é chegada a altura de ser feito o balanço das comemorações do Carnaval deste ano. Os participantes activos da festividade dirão que foram três incansáveis dias de desfile e que os pequenos salpicos, de uma chuva que ameaçou aparecer de surpresa logo no primeiro dia, não chegaram para causar dissabores nem aos membros do corso, que não deixariam de desfilar independentemente das condições atmosféricas, nem tão pouco aos milhares de espectadores que se juntaram de norte a sul de Portugal para assistir aos principais desfiles do país.

Os trabalhadores que tiveram direito ao descanso na terça-feira dirão, sem dúvida, que foi um bonito dia de sol de Inverno, aproveitado da melhor forma por quem escolheu assistir ao desfile, próximo da sua área de residência; por quem se atreveu a passear à beira-mar ao longo da costa portuguesa sob os raios brilhantes de uma tarde soalheira; ou mesmo por quem optou por permanecer em casa, ora em frente ao ecrã a recordar filmes que teimam em desaparecer da memória, ora de vassoura e esfregona na mão, limpando o que já havia sido planeado há muito mas que o tempo ainda não tinha permitido.

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Os militares da GNR destacados para a "Operação #Carnaval" dirão, como sempre, que continua a persistir a irresponsabilidade um pouco por todas as estradas do país; que continuam a existir condutores inconscientes e imprudentes que colocam em perigo não só as suas vidas, como as de tantas outras pessoas; e que se continuam a registar um maior número de contra-ordenações em dias festivos como é o caso do Carnaval.

Também os comerciantes, cujos estabelecimentos se localizam junto aos locais de desfile, terão uma palavra a dizer quanto à importância e relevância da festividade. Dirão o quanto é fundamental que todos os anos sejam reunidos os esforços para fazer cada vez mais e melhor. Dirão que os benefícios não se ficarão pela economia, mas que atravessarão a arte, a cultura, o turismo e a política.

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Dirão que as máscaras e serpentinas ainda são uma das poucas ilusões que alimentam a esperança portuguesa na recuperação económica.