A influência da comunicação social tradicional está em declínio e essa mudança está a forçar com que o governo federal americano regule a Internet. Porque controlar a informação acerca do governo é a mais poderosa forma de controlar o público. Os grandes meios de comunicação nos EUA resumem-se a umas seis empresas em laços estreitos com o governo. Estes meios são utilizados pela oligarquia política para controlar a opinião pública, mas nos últimos anos os media "jurássicos" perderam influência e a confiança de um público em busca de fontes alternativas de informação. Porque os governos ganham poder através da ignorância dos governados.

"São apenas precisas umas poucas empresas de notícias globais para que, num dia, tornem consciente para biliões de pessoas em todo o mundo algo que era completamente desconhecido no dia anterior", escreveu Joseph Plummer em Tragédia & Esperança. "Com este tipo de poder, a "Rede" (empresas de comunicação social) pode escolher entre espalhar qualquer mentira, ou reter qualquer verdade." "Afinal, se as pessoas não conhecem as intenções da origem das suas informações, não podem esperar querer saber o que os seus informadores não querem que eles saibam.", comenta o escritor.


E é por isso que o governo de Obama está a observar muito de perto a imprensa independente da Internet, para encontrar meios de a controlar ou, pelo menos usá-la, manipuladamente a seu favor. O declínio dos grandes meios de comunicação social tem sido evidente. Nos EUA, dados das próprias estações televisivas apontam que: entre Novembro de 2012 a Novembro 2013, por exemplo, a audiência da CNN entre a população adulta com 25 a 54 anos caiu 59%; e em 2013 a audiência do horário nobre médio combinado da CNN, Fox Notícias e MSNBC caiu 11%. "Os executivos dos grandes canais parecem estar optimistas para reverterem estes dados fatais quando quiserem. Mas é falsa esperança porque não perceberam que tem havido uma mudança fundamental de paradigma na comunicação social nos Estados Unidos", comentou Michael Snyder que ainda referiu, "a população em geral perdeu uma quantidade enorme de fé nos principais meios de comunicação."

Acontecimentos, como o 11 de Setembro, geraram talvez pela primeira vez em massa uma onda de contestação e inconformismo que geraram um novo tipo de público de massas: o público investigador. Este público é um público qualificado, culto, urbano e semi-urbano que não se conforma com a comida-pronta da propaganda. E por isso não é, por exemplo, raro ver em canais como o YouTube milhares de teses individuais acerca dos acontecimentos do 11 de Setembro.

O problema do governo democrata de Obama não se refere ao conteúdo veiculado na Internet nem ao seu modo de expressão; a questão centra-se no facto de que os governos centrais estão a começar a sentir que a velha teoria sistémica da dominação está no fim. Os governos mundiais estão a começar a sentir que simplesmente não controlam a narrativa, ou não a controlam toda, como nos queriam habituar a pensar. Por isso os burocratas sistémicos só têm duas hipóteses, ou exacerbam o sistema vigente aumentando a repressão e a vigilância da Internet (centralismo), ou abdicam dos seus previlegios e devolvem o poder ao povo que os elegeu (descentralização). Este último cenário é muito pouco provável não apenas pelos compromissos que constituíram com grupos numa rede de compromissos informais de dominação financeira e até militar. Mas por uma outra razão bem mais prática: é que as próprias massas não foram treinadas para liderarem as suas próprias vidas e criarem o seu destino.

De facto, a aparente emancipação das massas é uma ilusão. São apenas minorias os países, sociedades ou classes emancipadas no mundo ocidental. A grande horda da população não só depende directa ou indirectamente do estado, num jogo financeiro que se ancora na "Segurança Social" (que a banca "gere" e detém), como não quer deixar de depender do jogo que uma oligarquia controla. Este esquema de dependência é o fio ténue e perigoso que pode ir de uma democracia a uma tirania num segundo, em nome do "bem-estar" das massas.

Obama sabe isso, e sabe manipular as massas com distracções e mensagens ocas, não para prosperidade do povo mas para sustentação do status quo da oligarquia político-financeira. E fá-lo ocultando factos, situações e narrativas, com a agenda do "espectáculo" (desportos, por exemplo) e da "obrigação" social. A Internet trouxe novos actores mais concentrados em objectivos do que interessados em ilusões de dominação. Por isso é muito comum site e páginas especializadas em direitos humanos e sociais, sem qualquer menção a distracções populistas. E os demagogos ficam incomodados com isso. Porque são confrontados com a evidência que não controlam a realidade. Ou pior, não querem que a população siga o seu destino e não precise de governo para nada para tomar as suas decisões - como acontece, por exemplo, no país mais rico da Europa, a Suíça.

Só a necessidade de controlar a população justifica que Obama tenha vindo a insistir junto do congresso americano para publicar legislação de controlo da Internet. Os congressistas parecem não resistir.