Os vencedores, os discursos, o apresentador e a sua prestação, e os vestidos. Estas são algumas das categorias analisadas e criticadas nos dias seguintes aos Óscares. Tentarei fazê-lo, mas aviso desde já que a minha visão está bastante toldada pelo facto de sentir que desperdicei cinco horas da minha vida a ver o evento em tempo real.

Começo pelos vestidos: Emma Stone e as grandes Marion Cotillard e Julianne Moore. As suas nomeações nem eram necessárias: as três foram as vencedoras da noite só pelos vestidos (Elie Saab, Christian Dior Couture e Chanel, respectivamente). Destaque também para Lupita Nyong'o, Naomi Watts...e para os homens.

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Senti-me muito agradavelmente surpreendida por ter realmente reparado na indumentária masculina nesta edição dos Óscares, que se mostrou efectivamente diversificada (obrigada, Jared Leto, por dar início à tendência).

E pronto, a partir da Red Carpet foi sempre a descer. Escrevo isto com grande pesar, porque o admiro imenso como actor. Mas Neil Patrick Harris (NPH) foi uma seca. E infelizmente não encontro qualquer eufemismo para a sua prestação. Realmente um grande actor não dá necessariamente um grande apresentador. E quebrando uma longa tradição de comédia natural, com Billy Cristal, Steve Martin e Ellen, NPH ofereceu uma comédia planeada, coreografada, automatizada, robótica. Já não estamos nos anos 50 americanos, a comédia hoje em dia vale pela sua espontaneidade. E foi essa espontaneidade que faltou ao actor.

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E se a cerimónia começa logo mal, parece-me difícil recuperá-la. Mas podia ter acontecido, não tivesse esta edição sido uma das mais irritantemente politizadas: sendo o ponto alto o discurso de Patricia Arquette. Sim, sou feminista. Sim, sou pela igualdade das mulheres. Sim, sou muito pelas mulheres. Mas sou também pessoa com franca noção de timing certo, ou tento ser. Arquette tem dezenas de plataformas para falar sobre as questões sociais que a incomodam (principalmente, desde a sua nomeação). Porquê utilizar os dois minutos que lhe dão para discursar sobre a desigualdade feminina e não para falar sobre a obra que realmente lhe valeu o galardão?! A actriz, actual vencedora de um Óscar (aliás, profundamente não merecido), terá várias oportunidades para debater o assunto. Porquê utilizar "Boyhood", filme que não retrata o tema, para a chamada de atenção?! Não consigo entender.

Pelo contrário, como entendo Julianne Moore (que para mim, é a futura Meryl Streep)! Um dos melhores vestidos da noite, um Óscar muito bem merecido e um grande discurso.

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A actriz abriu com uma piada, sobre o facto de ser mais velha do que o marido, falou depois da obra e da equipa que lhe valeu o Óscar, e finalizou com a normal mensagem de agradecimento à família. A haver mais momentos como o de Moore e a noite talvez pudesse ter sido grande.

Quanto aos vencedores propriamente ditos, concordo com alguns, discordo profundamente de outros: mas é já sabido que os Óscares não premeiam sempre as melhores performances, mas muitas vezes as mais socialmente/politicamente relevantes. Sendo assim, não posso seriamente discorrer (para além do ocasional comentário) sobre #Cinema referindo-me a uma cerimónia que deixou de ser sobre cinema há muito (se é que alguma vez o foi). Mas dito isto, não me entendam mal: sou pelos Óscares, porque o evento continua a ser uma óptima plataforma (quando bem utilizada) para a apresentação que leva à discussão de vários temas prementes.