O Varzim é um dos históricos clubes portugueses, conhecido pela "raça" dos seus jogadores dentro de campo e pelo orgulho e dedicação dos seus adeptos, que nunca abandonam a equipa, mesmo nos momentos mais difíceis. No ano em que completa 100 anos de história, este clube fundado em 1915 tenta reerguer-se aos poucos e voltar aos campeonatos profissionais, depois de numa das páginas mais negras da sua existência, em 2012, ter sido impedido de subir à segunda liga, por dívidas à segurança social, numa época em que se sagrou campeão da segunda divisão. Apesar de uma situação económica débil, que se arrasta há vários anos e impede o clube de permanecer no lugar que merece, os sócios do emblema poveiro nunca deixaram morrer o clube.

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E quando as dificuldades tomam conta do balneário e afectam o desempenho da equipa, são estes filhos de uma terra de pescadores, habituados às contrariedades da vida mas também à capacidade de lutar contra elas, que levantam a equipa e contagiam os jogadores, que logo que ali chegam se apercebem que este não é um clube como os outros.

Aqui, para se ter sucesso não chega trazer qualidade à equipa, é necessário perceber que, em primeiro lugar, vai-se jogar pelos adeptos e pelo orgulho do emblema que trazem ao peito e, só depois, poderão estar os interesses individuais que cada um traça para a sua carreira. Esta reciprocidade de sentimentos, que leva domingo após domingo os adeptos a comparecerem em massa, onde quer que seja o jogo, traz aos jogadores um acréscimo de responsabilidade em não defraudar as expectativas daqueles que nunca deixam de acreditar e de os acompanhar.

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Desta troca de emoções nasce a conhecida "raça" poveira, transmitida de fora para dentro e de dentro para fora do relvado.

Num país que adora #Futebol, mas onde as bancadas permanecem vazias, o Varzim levou, no passado mês de Novembro, cerca de 1500 adeptos na deslocação a Barcelos, para o jogo da 4.ª Eliminatória da Taça de Portugal, frente ao Gil Vicente. Mais recentemente, foram 1000 os poveiros presentes em Famalicão, num jogo do terceiro escalão do futebol português. Neste momento, o Varzim inicia a segunda fase do campeonato, onde disputa a subida à Segunda Liga, e mais uma vez se viu a força dos seus adeptos, no último domingo frente ao Sousense, que ao ver a sua equipa a perder por 2-1, tudo fez para motivar os seus jogadores e fazê-los acreditar na vitória, que acabou por chegar a cinco minutos dos 90', para êxtase das bancadas.

Mas outro factor contribui e muito para a "raça" demonstrada por esta equipa. Atrás do palco principal, onde atuam os graúdos, existe um pelado que sobrevive à moda dos relvados de última geração e vê crescer, ano após ano, os grandes talentos que servem maioritariamente a equipa principal.

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O amor ao clube é enraizado nestes miúdos desde muito cedo e são eles que, quando chegam à equipa principal, mantêm a mística Varzinista e a passam aos que lá chegam, sem a noção do que vêm encontrar.

São clubes como este que fazem falta ao futebol português e que o negócio em que se tornou este desporto tem vindo a empurrar para os escalões secundários. Resta agora ao Varzim aproveitar os seus pontos fortes para superar os obstáculos e voltar ao lugar que merece.