Capaz como é de gerir campanhas políticas, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, chegou novamente ao poder em Israel, esta terça-feira. Conhecido popularmente como Bibi, tem feito da sua bandeira a promessa de que manteria a nação israelita protegida de ameaças. Visto que uma das maiores preocupações do povo daquela pequena nação no Leste do Mediterrâneo é exatamente a segurança, rodeada como está de inimigos que são mantidos em linha por forças armadas surpreendentemente poderosas.

No entanto o discurso nacionalista e sem compromissos de Bibi, que procura assim encostar-se aos seus aliados da direita conservadora, preocupa diversos sectores, mais moderados, da sociedade israelita.

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Isaac Herzog, da União Zionista, que conseguiu o segundo lugar nas eleições, falava de uma sublevação da maioria contra os conservadores, mas apesar da corrida equilibrada à cabeça das eleições, não foi isso que sucedeu.

Convém, contudo, ter em conta a posição do eleitorado israelita e da sua pequena nação no contexto do Médio Oriente contemporâneo. O caos no Iraque e na Síria não dá sinal de ir terminar no futuro próximo, e o Estado Islâmico já havia prometido ataques a Israel. As pessoas estão assustadas, e, no entanto, este é um novo inimigo, e existem ameaças mais antigas. A Jordânia pode ser um aliado de momento, e a Arábia Saudita pode agora ter-se aproximado de Telavive, mas são "amizades" que ninguém espera que durem. Entretanto o Líbano continua dividido e o Hezbollah ainda ameaça Israel, apesar de estar dividido na sua luta contra o EI.

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Por outro lado os palestinianos prosseguem a sua luta pela independência, com o Hamas a retomar a sua postura agressiva enquanto as negociações de paz morrem. Netanyahu já prometera continuar a apoiar a expansão dos colonatos na Cisjordânia, o que choca ainda mais com a Autoridade Palestiniana, que certamente não parará a militância, violenta ou não, enquanto não lhe for garantido o controlo de, pelo menos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Pode-se aqui dizer que a postura de Bibi antagoniza diretamente os palestinianos e impossibilitará qualquer possibilidade de paz. Haverá futuras incursões nos seus territórios e no Líbano no futuro próximo, e muita gente morrerá dos dois lados, isso é agora mais que certo. No entanto, mesmo que os colonatos em si não sejam suportados por algumas fações israelitas, existe sempre a preocupação com a área geográfica, e ocupar a Cisjordânia significaria que Israel poderia expandir a sua envergadura, tornando-se mais defensável.

Cai aqui ainda a questão iraniana, com a busca da bomba atómica sendo vista como uma ameaça existencial por Israel.

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O governo americano tenta conseguir um acordo, mas Netanyahu já prometera a destruição das instalações nucleares, sendo nisso apoiado, surpreendentemente, por Riade.

É uma região caótica, talvez ainda mais do que podemos imaginar aqui em Portugal, e é perfeitamente natural que os israelitas prefiram um candidato que possa garantir alguma segurança. Por outro lado, contudo, talvez se possa afirmar que Telavive poderia procurar mais alianças e menos inimigos. A reeleição de Bibi certamente que diminuirá a simpatia mundial que tem suportado Israel, podendo levar a um maior isolacionismo. No entanto, para o israelita comum talvez o estado de guerra seja agora parte do dia-a-dia. Em tempo, também este país será envolto pelos fogos do deserto. #Política Internacional