Cada vez mais está na ordem do dia o Clube Bilderberg e várias teorias da conspiração apontam as reuniões secretas anuais como o ponto de encontro entre várias personalidades que decidem os destinos da vida política e económica do mundo. Parece algo saído de um filme de James Bond ou Missão Impossível, certo? O que é então o Clube Bilderberg? O que foi apurado é que existe desde 1954 e que a sua criação esteve nas mãos do príncipe da Holanda, Bernhard, de Joseph Reitinger (conselheiro político), Paul Van Zeeland (primeiro-ministro da Bélgica) e por Paul Rijkens (presidente da poderosa Unilever). 

O propósito da sua criação era promover a constante cooperação transatlântica e discutir assuntos de relevo mundial da actualidade. Tendo em conta o período de Guerra Fria que se vivia, este tipo de discussão só poderia ser sobre o avanço do comunismo sobre o ocidente. O nome para o evento surgiu porque essa primeira reunião aconteceu precisamente no Hotel Bilderberg, na Holanda. Esse primeiro encontro foi bem sucedido, pelo que ficou decidido tornar o encontro anual, em qualquer ponto da Europa ou da América do Norte. A justificação para a natureza secreta destes encontros é permitir que os seus participantes possam intervir sem se preocuparem com as interpretações que as suas palavras possam ter nos órgãos de comunicação. Claro que, por outro lado, os apoiantes das teorias da conspiração alegam de que o secretismo parte dos planos traçados para o domínio global que resultam destas reuniões.

Desde nomes ligados à política e à monarquia, passando por presidentes de multinacionais, e até jornalistas, o elemento comum aos participantes é terem poder, de alguma forma. Do nosso pequeno cantinho já tivemos como representantes Francisco Pinto Balsemão, Braga de Macedo e Clara Ferreira Alves. O facto dos nomes dos seus participantes serem conhecidos também é um motivo de discórdia. Se uns dizem que a arrogância dos membros é de tal forma grande que nem se importam de tornar públicos os seus nomes, outros afirmam que é a prova de que nada de errado se passa nessas reuniões.

Seja o que for, uma coisa é certa: quando tanto poder e influência se juntam, não será para encontrar novas soluções para acabar com a fome em África, com o envenenamento dos nossos mares, rios, solos, atmosfera, corpos, nem mesmo para evitar novas crises. Como poderia isso ser se os seus participantes são quem mais lucram com crises, guerras, epidemias? Quando a doença, os conflitos, a escassez dos bens representam o lucro de alguém, de que lado se julga que os mais ricos e poderosos estarão na resolução destas questões? Se num bairro pobre e degradado, criado pelas condições precárias impostas pelo lucro que alguns tiveram, um grupo de jovens se reúne e são apelidados de membros de uma gangue, que chamamos nós a quem lucra com a Peste, a Guerra, a Fome e a Morte?