Tivemos recentemente o anúncio da criação de um novo partido, ou mais precisamente uma coligação entre um movimento popular e um partido sem grande expressão em Portugal. Neste caso estamos a falar da união estabelecida entre o Partido Trabalhista Português (PTP) e o 'Agir' de Joana Amaral Dias. A antiga deputada do Bloco de Esquerda (BE) já tinha estado inserida na criação do 'Juntos Podemos' de onde saiu, acompanhada por mais alguns elementos, assim que a primeira comissão política foi eleita, por não estar de acordo com o rumo político tomado pelo recém-criado partido e rapidamente criou o movimento 'Agir'. Desta vez a opção não recaiu na passagem do movimento para um partido político, tendo sido escolhida uma coligação com um partido já existente e que pouca ou nenhuma expressão tem em Portugal.

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A coligação PTP/Agir já foi oficialmente apresentada e vai ser uma certeza nas próximas #Eleições legislativas, onde Joana Amaral Dias vai finalmente conseguir ser a cabeça de lista. A criação de novos partidos ou movimentos populares em Portugal é de saudar, numa altura em que o descrédito pelos partidos existentes é cada vez maior e o afastamento da população na escolha dos seus governantes é bastante visível através da elevada abstenção registada em cada ato eleitoral. No entanto para que a população portuguesa sinta que existem alternativas novas, é necessário que exista credibilidade nos atos e posições assumidas pelos representantes/fundadores destes novos partidos.

O recém-anunciado PTP/Agir tem desde já um começo muito pouco convincente a partir do momento em que é indicado pela própria Joana Amaral Dias, que antes de avançarem com esta coligação, estiveram em negociações com partidos tão distintos como o PAN, o MPT, o PND o PPM e o PPV.

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Partidos com convicções mais centristas, mas esquerdistas ou monárquicos. Ficamos, portanto, com a ideia de que qualquer coisa servia para que a coligação fosse feita e a candidatura às legislativas seja uma realidade.

Foi ainda avançado pela ex-bloquista que o objetivo é criar uma plataforma de entendimento o mais abrangente possível e que, dessa forma, podem vir a existir mais novidades na coligação agora criada. Juntar partidos realmente de esquerda é difícil, juntar partidos com convicções de direita também não é fácil, mas misturar convicções distintas dentro de uma só coligação será uma boa opção a longo prazo? Portugal precisa de alternativas credíveis, mas tentar misturar partidos tão diferentes entre si numa candidatura conjunta será a solução? Ficamos a aguardar desenvolvimentos e que resultados práticos vão ser conseguidos.