Os tempos de crise em que vivemos obrigam a que o cidadão comum se agarre com unhas e dentes ao seu trabalho, com receio de se tornar desempregado, mesmo que não seja feliz. Também é comum que quem está desempregado aceite qualquer coisa, com a esperança de encontrar algo melhor num futuro, acabando por se tornar uma prisão da qual nem sempre é fácil sair. O que leva à pergunta que muitas pessoas fazem: o que fazer quando se odeia o trabalho que se faz? Cumprir horários, com a semana a passar lentamente a desejar chegar ao fim de semana, que quando chega, passa a voar, com a inevitável depressão de domingo com a resistência de se ir trabalhar no dia seguinte.

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Tudo isto embrulhado num ritmo constante que se acumula durante semanas, meses e anos, deixando para trás aquela impressão inegável de que se está a desperdiçar a vida em algo que não o faz feliz.

Infelizmente é uma condição que afecta muitos trabalhadores que podem conduzir a stress, depressão e esgotamento nervoso. Como impedir que se chegue tão longe quando não se pode abandonar do emprego que se tem, ou trocá-lo por outro? Existem alguns pequenos mas eficazes passos que podem ser dados. A primeira coisa é perceber exactamente aquilo que se sente e o porquê de não se gostar do trabalho que se faz. Poderá ser por se sentir que se tem capacidades para se fazer muito mais do que aquilo que se faz actualmente; por se sentir que se vive em constante pressão em termos de objectivos, intolerância ao erro; por não se ser reconhecido pelo seu valor, tendo dificuldade para arranjar motivação; ou sentir que não se tem controlo sobre aquilo que acontece, andando ao sabor das decisões, nem sempre correctas, dos outros.

Aquilo que se pode fazer, quando se chega aos pontos citados anteriormente é algo tão simples como lembrar-se das recompensas que se tem, das razões que o fazem continuar no emprego, evitando o fatalismo. Nas recompensas também é bom não perder o hábito da recompensa própria, principalmente no final de um dia de trabalho. Algo tão simples como esquecer as tarefas diárias e ir ter com aqueles amigos com quem não se está há uns tempos, ou passar um pouco mais com os filhos, qualquer coisa que sirva como escape ao dia de stress que acabou de se viver. É essencial também não perder a esperança de poder encontrar algo melhor no futuro.

Outra medida válida é tentar incorporar aquilo que se gosta de fazer no trabalho, de forma a tornar o mesmo mais interessante. Tentar também alterar certas condições no ambiente de trabalho, que o tornem mais confortável e suportável, é também uma atitude essencial. Se o ambiente no local de trabalho for positivo, ajuda a que se consiga suportar melhor tudo aquilo que se sente em relação ao que se faz, sobretudo se o humor e boa disposição estiverem envolvidos. Também é muito importante arranjar apoio seja de amigos, colegas de trabalho ou até mesmo da chefia. Ter uma voz amiga capaz de ouvir, mas também dizer as verdades necessárias de ouvir, que chame à razão e que ajude no caminho para um futuro melhor.