Numa notícia recente foi divulgado que a Região Autónoma da Madeira possuía 40.000 pensionistas no final de 2014, o que corresponde a cerca de 15% da população. Também é do conhecimento público que a taxa de desemprego actual ronda também os 15%. Se supusermos que a percentagem populacional com idade inferior a 18 anos for igual ao número de pensionistas, estamos a falar de mais 40.000 pessoas. Analisando os dados referidos, e de uma forma geral, podemos dizer que 41% da população regional encontra-se inactiva, sendo toda a carga fiscal suportada por pouco mais de metade da população.

Quando falamos de #Desemprego com taxas de 15%, parecem valores dramáticos; no entanto, até são aceitáveis. A análise deve ser realizada não em relação ao desemprego, mas sim relativamente à população inactiva ou que não contribui financeiramente. Quanto os dados são analisados desta forma a questão torna-se mais crítica e preocupante.

Relativamente ao desemprego, acredito que estes 15% não reflectem todos os desempregados, mas sim os desempregados inscritos no centro de desemprego. Na Madeira possivelmente cerca de 5% da população não tem trabalho e também não está inscrita nos centros de desemprego. De um modo muito genérico, quando falamos de desemprego, o valor real será possivelmente 5% acima dos valores divulgados.

Resumindo, apenas metade de nós trabalha, outra metade são pensionistas, desempregados, estudantes ou simplesmente pessoas que de alguma forma estão esquecidas e não contam para as estatísticas.

Dados preocupantes que são simplesmente ignorados, ou de alguma forma mal analisados. As percentagens são determinadas de modo a dar noção de menor relevância, com o intuito de convencer a opinião pública que está tudo bem. Quando na verdade a população inactiva passa fome e a população activa muitas dificuldades. Socialmente não são necessárias análises estatísticas para vermos que algo não está bem. A pobreza reflecte-se na sociedade e a expressão facial das pessoas revela isso mesmo, desânimo, dificuldades e, em muitos casos, desespero.