Enviar currículos, efetuar o registo em sites/blogues de emprego, colocar um like nas páginas destes sites no Facebook, ler os classificados dos jornais, analisar os e-mails que vão enchendo as nossas caixas de correio com propostas de emprego, distribuir currículos por várias empresas, efetuar candidaturas espontâneas,… E podia escrever mais 500 ou 600 caracteres de tarefas que se tornaram hábitos para muitos jovens portugueses e europeus. Cerca de 34% dos jovens em Portugal não têm emprego. É a quarta pior taxa da zona euro. Por isso, qualquer oportunidade que surja é a oportunidade que temos de agarrar.

De quando em vez, lá somos chamados para uma entrevista.

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O processo de preparação inicia-se de imediato. Uma fase à altura de qualquer trabalho académico. Pesquisa-se sobre a empresa, analisa-se a proposta e a função à qual nos candidatamos, pensamos sobre eventuais perguntas que possam fazer parte da entrevista, criamos um dossier com tudo o que há para saber para fazer "boa figura", para conseguirmos que o nosso rosto não fique esquecido entre as toneladas de papéis e dezenas, senão centenas, de candidatos.

A revisão do curriculum vitae é também um passo indispensável. Cada vez mais vivemos obcecados com o nosso currículo, com a forma como o podemos melhorar, como nos podemos distinguir. Afinal, o que vai distinguir as dezenas de candidatos que não conseguem o emprego e aquele que é selecionado, são as competências (skills), a formação, a experiência profissional, a atitude na entrevista, a forma como responde às questões, se sabe ou não línguas.

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Mas tudo isto são os critérios comuns, mais ortodoxos. Depois, existe outro tipo de entrevista, de acordo sempre, claro, com as exigências à função a que nos candidatamos, e em que a imagem é mais do que importante. É mesmo fator eliminatório.

Mais do que a ditadura da imagem, como frequentemente nos referimos ao século XXI, o mundo atual tem na #Beleza a sua skill perfeita, o elemento eliminatório mais cruel de todos. Para conseguirmos um "bom emprego" temos de ser bonitos. É o que, inevitavelmente, fica implícito. É, portanto, o reinado da estética. Platão, um dos três filósofos gregos basilares para a base da estética, defendia que "o corpo é um túmulo". Ou seja, na origem da beleza deve haver "uma primeira beleza que pela sua presença torna belas as coisas que designamos por belas, qualquer que seja o modo como se faz essa comunicação". Talvez seja este o ímpeto das entrevistas de imagem: analisar a beleza dos candidatos pela sua beleza implícita, pela energia que transmitem. Se assim for, então é de louvar. Mas se não for, então é importante tentar compreender o que é isto de "hospedeiras de imagem".

A beleza é subjetiva. O belo está, muitas vezes, nos olhos daquele que observa e não propriamente no objeto que é observado. As entrevistas de imagem acabam, assim, por se envolver num verdadeiro desafio, em que definir beleza é mais do que a imagem superficial de cada um.