Hoje gostaria de fazer algo diferente do habitual. Isto porque creio ser interessante partilhar com colegas e interessados o modo como, pessoalmente, desenvolvo os meus artigos. Isto porque apesar de ser costume dizer que "o segredo é a alma do negócio", no que diz respeito a política internacional eu discordo totalmente dessa expressão. Quanto mais pessoas souberem ler nas entrelinhas dos discursos políticos e das jogadas de informação e contra-informação, mais ativas politicamente elas poderão ser. Evidentemente que o que descreverei abaixo é apenas metodologia pessoal, com a qual podem concordar ou não. Teria todo o gosto em compartilhar das vossas técnicas e opiniões.

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O primeiro ponto a ter em consideração é, a meu ver, ter o cuidado de fazer uma boa pesquisa sobre o tema sobre o qual se escreve. Isto implica não apenas dar uma boa leitura a reportagens sobre os eventos em questão, mas também explorar artigos sobre a história e as regiões e personalidades envolvidas, de modo a obter-se uma visão o mais ampla possível do assunto. Também se inclui neste ponto a necessidade daquilo que descreveria como "investigação extra-curricular". Isto quer dizer que, para além dos temas que interessam diretamente aos textos a serem escritos, o autor deveria também, fora desse contexto, ir acompanhando análises políticas mais genéricas, de modo a compreender melhor os eventos quando os mesmos surgem.

Da minha parte tendo a seguir jornalistas e analistas como George Friedman e Dan Carlin, cujas análises tendem a ser bastante profundas, e usualmente corretas.

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Também convém ter um conhecimento sólido de História, para saber de onde as coisas vieram e para onde poderão ir. Pessoalmente evito a chamada "história marginal" como se fosse a Peste. Refiro-me a teorias revisionistas que usualmente incluem perspetivas modernas ou pessoais de eventos históricos e que dificilmente compreendem como as pessoas pensavam na época. Convém aplicar o método científico e separar o trigo do joio, por assim dizer. As complicações dos pensadores marginais serão abordadas no futuro, mas devo desde já dizer que usualmente incorrem em erros de lógica graves que os analistas mais atentos deverão saber identificar e evitar.

Através desta linha chegamos ao próximo ponto, que se relaciona com a tendência para a imparcialidade. Ninguém é totalmente imparcial. Afinal, todos temos as nossas opiniões e simpatias. Mas quando queremos informar, então temos de fazer o esforço para realmente tentar cobrir a situação do modo mais realista possível (a menos que o objetivo não seja informar).

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Isto significa que o escritor tem de ser capaz de se colocar na mente dos personagens que agem e fazem mover o mundo. Um bom exemplo é a atual questão russa, em que já ouvi opiniões fundamentadas que colocam culpas de ambos os lados do debate, e tento cobrir ambas sempre que possível. Ter uma posição não é uma qualidade nesta temática e usualmente manipula a opinião do leitor, e não de modo construtivo.

Isto cobre, creio, o tipo de mentalidade que convém ter quando se trabalha nestes textos. Só mais uma observação: estes assuntos são complexos, e envolvem tantos nomes e elementos que se torna complicado de acompanhar, sobretudo em textos pequenos. O autor deverá, na melhor das suas capacidades, simplificar a apresentação, sem perder conteúdo.

E você, tem mais dicas e opiniões que queira oferecer? Como faz para escrever os seus textos sobre o tema? #Política Internacional