Já muita crónica escrevi sobre David Robert Jones. Sim, David Bowie, o camaleão do rock. É interessante constatar como a partir dos seus álbuns, Bowie se renova constantemente. O processo de "reciclagem" é contínuo, como poderão deduzir seguidamente, tendo em conta alguns álbuns deste senhor. Envelhecer é mesmo opcional.

A constante "reciclagem" de David Bowie é visível não só nas suas constantes mudanças de visual, mas também nos registos discográficos. Basta comparar o visual e o som do álbum "Let´s dance", com a fase "Ziggy Stardust and The Spiders from Mars". Bowie não se prende a um estilo. Procura constantemente superar-se e é aí, a meu ver, que a investigação da sua obra se torna absolutamente inesquecível.

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De facto, este senhor já fez um pouco de tudo. Começou com grupos de rock (como os Konrads), mas curiosamente sem grande sucesso. Não foi fácil para o jovem David singrar inicialmente no mundo da #Música.

No final da década de 60 uma luz abriu-se com o tema "Space Odity", hoje considerado um clássico. Foi um bom passo na carreira de Bowie. Ainda assim, o grande sucesso só nasceria com o hoje mítico álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars". Um álbum conceptual de ficção científica que conta a história de um extraterrestre, Ziggy Stardust, que tem cinco anos para salvar o planeta Terra. "There´s a Starman waiting in the sky; let the children play", proclamava inocentemente o "Starman". Mas os vícios de uma estrela de rock and roll iriam aniquilar Ziggy que "se suicidou" em 1973.

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Ficou para sempre o mito.

Destaque ainda para a fase, ainda nos anos 70 (época de ouro para Bowie), em que lançou mais um alter ego, "The Thin White Duke". Mas que grande registo é "Station to Station", marcadamente intenso e acima de tudo emocional.

Passando para a década dos "00" assistimos a um Bowie amadurecido. "Reality", de 2003, é um dos seus melhores registos, a meu ver. "Days" é uma das faixas mais belas.

Seguiu-se depois uma longa paragem pelos estúdios do "mito". Regressa em 2013, repleto de mistério com "Where Are We Now?", que enganava toda a pujança que o registo apresentava. Com "The Next Day", tema em que mistura habilmente o sagrado com o profano , já se percebeu que o camaleão estava de volta e que ter mais de 60 anos, só contava efetivamente no BI.

Em suma, ecletismo, elegância, charme, com um toque de génio marcam a carreira de David Bowie. O sucesso custou mas foi alcançado, sendo muito merecido até aos dias de hoje. Que o sucessor de "The Next Day" esteja muito próximo.