Há uns dias falava com um amigo meu, que está em Moçambique, sobre esta coisa do facebook, das redes sociais, dos amigos que vamos adicionando pelo caminho e das ligações que vão nascendo. Sempre achei que quem passava horas perdidas nas redes sociais tinha simplesmente uma vida social muito desinteressante ou mesmo inexistente. Achava triste, e até mesmo ridículo, as pessoas que travavam amizades através de redes sociais e até algumas que diziam que tinham conhecido o namorado e se apaixonado através do facebook. Mas, a verdade, é que não é nada triste, nem tão pouco ridículo.

A realidade é que se podem viver verdadeiras histórias de amor, ao estilo de Romeu e Julieta dos tempos das novas tecnologias.

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Se no tempo dos nossos avós se namorava por carta, agora o estado do mundo obriga-nos a estabelecer relações via internet. Virtuais ou não, elas existem! E a explicação é tão simples e honesta...

O estado do nosso país obriga a nossa geração a ser cidadã do Mundo, a pôr a mochila às costas e ir para onde houver trabalho. Não quer saber se temos filhos, namorado, marido, pai ou mãe que precisam de nós. Vamos e não podemos olhar para trás. E lá atrás, na porta de embarque de um qualquer aeroporto, ficou um amor que com o tempo e a distância se vai perdendo lentamente.

E lá fazemos o nosso dia-a-dia numa cidade que não abranda o ritmo por nossa causa, que não pensa que podemos estar sozinhos e precisamos de alguém. Ligamos o piloto automático e seguimos em frente. Mas a verdade, a verdade que dói a todos os que estão longe, é que existe sempre um vazio, um vazio de não termos ao nosso lado alguém com quem partilhar esta grande aventura.

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Depois do jantar, são milhares aqueles que procuram, no teclado do facebook, o amigo ou amiga que lhes dá uma palavra de força, um carinho e que os faz rir. E no meio desta carência de afectos é tão fácil viver uma realidade deturpada. É tão fácil uma simples amizade transformar-se numa paixão ou suposto amor virtual. Porque, do outro lado da linha, está também alguém que compreende o que sentimos, que também está longe de casa e que também procura conforto.

Agora o importante é saber distinguir o que é real, do que é um sentimento apenas gerado por uma carência momentânea. Essa é a chave, para não cairmos e não nos afogarmos em paixões virtuais, onde se jogam mil palavras ao vento. Se pensarmos bem, a questão é simples: Se eu estivesse no meu "habitat" normal, será que teria interesse nesta pessoa? Provavelmente, nunca nos iríamos conhecer. Provavelmente nem saberia o quanto esta pessoa se poderia tornar tão importante para mim.

O meu amigo dizia-me: "à conta desta carência, já dei por mim a dizer e a fazer coisas que nunca pensei...". Pois é... se é ridículo? Não! O importante é viver...mesmo sendo apenas virtual! #Família