Com taxas de desemprego altas e uma lenta recuperação da crise económica global, a União Europeia está a atravessar um período em que o extremismo político volta a espreitar, aliado à fraqueza das instituições. Muitos vêem aqui a motivação para a emigração, mas resta saber quais os países fora da Europa que poderão servir de acolhimento. Num momento em que a situação devia estar a melhorar, a crise parece estar a aprofundar-se. A Grécia e a Alemanha digladiam-se, enquanto o crescimento económico está há meses ou mesmo anos paralisado, aumentando as incertezas sobre o euro e uma união monetária sem as bases de união fiscal e bancária. Dezenas de milhões de pessoas estão desempregadas e o futuro é obscuro.

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Fantasmas do passado?

É neste contexto que, assustadora mas não surpreendentemente, vemos regressar os fantasmas da xenofobia, islamofobia, fascismo e outras ideologias extremistas, tendo como exemplo recente o ataque à Charlie Hebdo e os eventos que se seguiram, tanto na França como na Dinamarca. A União Europeia, antes ponto de acolhimento para os imigrantes, parece assim cada vez menos acolhedora, especialmente para as minorias.

Antes da Segunda Guerra Mundial, os destinos mais populares para os emigrantes europeus eram os Estados Unidos, a Argentina, o Canadá, o Brasil e a Austrália, tendo-se mantido destinos para refugiados após a guerra e outros conflitos na Europa. No entanto, hoje estes países têm políticas de imigração mais restritas, e tanto o Brasil como a Argentina são agora pontos de emigração.

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Os Estados Unidos confiam há anos em fluxos de trabalhadores ilegais, a quem a cidadania é frequentemente negada e muitas vezes a sua própria presença desconhecida - e continuam a criar empregos.

Estes novos migrantes podem não ser qualificados como os que encabeçavam o boom da imigração no pós-Guerra; mas poder-se-á escolher quem deve ou não entrar num país tendo em base nos possíveis empregadores? Não se pode ter a certeza sobre que migrante fará a maior diferença: não é só a primeira geração que interessa, pois o contributo das gerações futuras pode ser uma mais-valia acrescentada.

Além disso, e porque todos os estereótipos e clichés têm uma razão de ser, os imigrantes têm maior probabilidade que aqueles que nasceram nos Estados Unidos de seguir o "sonho americano" e começar o seu próprio negócio, criando novas empresas. O sentimento de segurança pessoal e inclusão que muitos vêem ameaçado na União Europeia são factores que podem ajudar a uma maior facilidade de integração nos Estados Unidos (muitos deles sentiam-se bem e integrados até verem a sua comunidade sob ameaça), bem como o facto de virem de países onde o inglês é uma língua de uso difundido: os migrantes europeus podem não ter motivos económicos para sair dos seus países, mas têm potencial para ajudar ao crescimento dos Estados Unidos. E talvez isto ajude a alterar algumas políticas de imigração.