Entre os cem protagonistas da campanha "100 Homens, Sem Preconceitos" encontram-se escritores, músicos, actores, cientistas, médicos, políticos e outras figuras mediáticas. Esta campanha foi lançada este 8 de Março, em celebração do Dia da Mulher. As fotos foram publicadas em livro e estão também expostas no Centro Cultural de Belém. As mesmas procuram chamar a atenção para a desigualdade entre homens e mulheres.

Esta campanha é reminiscente da internacional "Walk a Mile in Her Shoes" (traduzindo: "anda uma milha nos sapatos dela"), na qual um pouco por todo o mundo homens se organizam e calçam saltos altos para uma caminhada em nome dos direitos da mulher.

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Organizada pela revista Máxima e com a participação do estilista Luís Onofre no que respeitou ao design dos sapatos utilizados nas fotografias, esta campanha, tal como a "Walk a Mile in Her Shoes", parece passar um bocado ao lado do seu objectivo.

Porque não é o utilizar de sapatos dolorosos que é o verdadeiro problema, não é a compreensão de que certos estilos de sapatos não facilitam a caminhada que vai fazer com que as mulheres sejam mais valorizadas enquanto seres humanos, enquanto profissionais merecedoras de respeito, enquanto algo que não um pedaço de carne. Dores de pés e de coluna resultantes da escolha (não da obrigação) de utilizar sapatos de salto alto não são a verdadeira dificuldade de se ser uma mulher.

Muito mais pertinente foi a iniciativa do Bloco de Esquerda em levar ao parlamento uma tentativa de criminalizar aquilo que erradamente foi apelidado de "piropos", mas que constitui na verdade assédio sexual, pois nenhuma mulher que tenha sido abordada na rua o foi decerto, na maioria das vezes, por ter um bonito sorriso ou para receber comentários que possam ser interpretados positivamente.

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Muito mais pertinente é a desigualdade salarial, a desigualdade de oportunidades na progressão na carreira e em chegar a cargos de topo, o assédio frequentemente presente também nos locais de trabalho e frequentemente visto como única maneira de poder avançar profissionalmente, em detrimento das qualidades e capacidades profissionais.

Os sapatos que se calçam são uma escolha. A discriminação e o assédio consequentes da condição de se ser uma mulher não. O problema é assumir que existe preconceito ao calçar sapatos tipicamente desenhados para mulheres.