Jorge Jesus não é um treinador comum. Nem uma pessoa comum. Mastiga pastilhas com a boca aberta, solta um palavrão de vez em quando, agride violentamente a língua portuguesa, de vez em quando inventa sistemas táticos disparatados e por vezes perde jogos por assumir opções desastrosas. Apontados estes defeitos a um qualquer treinador de #Futebol e facilmente constataríamos estar em presença de um profissional fracassado. No entanto, pelo contrário, estamos perante um génio da bola. O profissionalismo do técnico é inquestionável, bem como a honestidade do ser humano.

Como é isto possível? Uma resposta simplista diria que os defeitos apontados acima são compensados pela grande experiência profissional e pela excelência do seu saber enquanto técnico de futebol.

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No entanto, é muito mais que isso. Experiência e competência são apanágio de muitos treinadores. No caso de Jorge Jesus há algo mais, algo que, realmente, faz a diferença.

Há quem o acuse de ser arrogante, talvez as palavras e a aparência o confirmem em determinadas ocasiões. Mas aquilo que realmente interessa, ou seja, as atitudes, desmentem-no por completo: Jorge Jesus tem-se revelado espantosamente humilde na forma como corrige os erros que vai cometendo. Por incrível que pareça, é um técnico que evolui permanentemente. Talvez esta humildade mal disfarçada seja o segredo do seu sucesso.

Mas há mais: poucos treinadores conseguem obter uma relação tão positiva e equilibrada com os seus jogadores. Tal como os melhores pedagogos e os mais sábios condutores de homens, este treinador sabe que a perfeição se encontra num equilíbrio muito precário entre a conquista da confiança e o respeito por parte dos seus subordinados.

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Por outras palavras: ele consegue como ninguém fazer-se respeitar nas suas decisões, sem ter de recorrer a uma autoridade imposta de forma brutal, mas sim com a confiança dos jogadores, que o veem como um guia em quem confiam.

Para além de tudo isto, pelo menos para um adepto descomprometido com as cores clubísticas, Jorge Jesus é um treinador criativo e mesmo divertido. Junto à linha lateral, incentivando os seus jogadores ou reclamando com o árbitro, ele é uma figura que nunca passa despercebida. Por isso é que não há opiniões neutras: ou se detesta ou se admira! Eu admiro-o como treinador e como ser humano. Podem chamar-lhe arrogante e inculto, eu chamo-lhe honesto, inteligente e divertido. E note-se: não sou benfiquista.