A importância de darmos nomes às coisas é menosprezada. O monstro do bullying sempre existiu, mas foi preciso um termo ser criado para se começar a falar nele. Ele esteve sempre lá, mas como estava debaixo da cama, ninguém ousava chamar por ele. Apesar de o baptismo do termo o ter transportado de alguma forma para as luzes da ribalta, não foi suficiente. A inércia levou a que fossem precisos casos tão graves como os de suicídio para se começar a debater métodos de prevenção, debates e alertas à consciência comum.

É absurdo mas foi preciso haver sangue, foi preciso o monstro mostrar-se em toda a sua temível força. Foram precisas imagens de horror e de choque a percorreram o mundo, a encheram as redes sociais para que algo começasse a ser feito.

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Não existe nada que o possa destruir de forma imediata e, principalmente, não existe forma de erradicá-lo. E o mais assustador é que todos os dias são criadas novas formas de exercer este domínio sobre o outro.

A Internet criou um trono para todos aqueles que idealizavam praticar estes actos e conseguir manter o anonimato. A cobardia dos demais recosta-se confortavelmente no sofá enquanto exerce as suas façanhas por entre as teclas de um qualquer computador. É impreterível reconhecer a gravidade deste assunto e relembrar às famílias a importância de redobrarem a sua atenção.

O bullying impele à vítima um silêncio que muitas vezes nos afasta da realidade dos acontecimentos. É preciso quebrar os preconceitos e falar abertamente deste flagelo com que nos debatemos. A violência tem milhares de formas de ser perpetuada e quem acredita que precisa de ser física para doer, está terrivelmente enganada.

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A violência das palavras pode ser bastante mais esmagadora que a dos atos e instala-se de tal forma que os seus efeitos se prolongam por muito mais tempo. Nos dias de hoje a conjuntura obriga-nos a um constante desassossego e a uma instabilidade que facilmente cria desleixo. Mas não há como descurar algo tão potencialmente perigoso. As consequências desse desleixo podem, em ultima instância, ser fatais e cabe-nos a nós evitar que mais tragédias humanas nos persigam. Comecemos por obrigar o mundo a reconhecer o problema, fazendo com que ninguém se possa recolher por desconhecimento. Vamos falar de bullying e convidá-lo a jantar à mesa connosco antes que ele decida aparecer sem ser convidado. #Família