Comemora-se este mês de Março os 70 anos sobre a morte de Annelies Marie Frank, a menina que ficou conhecida em todo o mundo por ter escrito, enquanto vivia na clandestinidade, um diário que descrevia a experiência de uma família judaica, escondida da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Anne Frank, como ficou mundialmente célebre, viria a morrer em Março de 1945, a míseros seis meses do final da guerra, no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha.

Nascida em Frankfurt em 1929, Anne viveu uma infância feliz como tantas outras crianças da sua idade, ainda que marcada pela mudança para Amesterdão, onde a sua família se refugiou após a subida ao poder do Partido Nazista.

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A sua ingénua felicidade tem realmente um fim quando o Nazismo chega à Holanda. Ela própria afirma em confidência à sua Kitty, nome carinhoso a que chama o seu próprio diário que, para si, as "recordações (dos tempos em que poderia viver livre e sem medo de ninguém) valem mais do que vestidos".

Em 1942 Otto, pai de Anne, achou por bem esconder a família das intenções alemãs, construindo um esconderijo onde pudesse manter toda a família isenta de perigo. Anne assistia com desalento às infracções contra os judeus levadas a cabo por Hitler, desabafando no seu diário que "o homem é grande de espírito mas mesquinho nas acções". Com 13 anos na altura, a menina a quem roubaram a vida, vivia escondida do mundo mas com plena noção do que nele se passava, daí que se interrogasse sobre o que teria feito o povo judeu para que o tentassem aniquilar de uma forma tão cruel e desumana.

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Anne tinha consciência da situação em que se encontravam e esperava um dia que a guerra terminasse para poder realizar os seus sonhos. Fechada e escondida há tempo bastante, o seu desejo era sair e perder-se no campo, aproveitar o sol e tudo o que a natureza tivesse para oferecer. Porque enquanto ali no esconderijo estivesse, o seu pensamento iria para a beleza que existe em tudo o que nos rodeia. Não o ficou por muito mais tempo. Anne e a família foram denunciados anonimamente em Agosto de 1944 e depois de algum tempo em Auschwitz, a menina acabou por morrer em Bergen-Belsen em 1945. Otto, o pai de Anne, foi o único sobrevivente da família e conseguiu, contra tudo e todos, publicar o diário da sua filha.