Nota introdutória:

Penso Rápido é uma nova rubrica da Blasting News Portugal. É um espaço dedicado a oferecer opinião e análise de temas contemporâneos, em menos de dois minutos, com o propósito de o colocar a si, caro ouvinte, a pensar nestes mesmos assuntos sob novas perspetivas. Aceita o desafio de pensar fora da caixa?

Mataram o Nemtsov!

A morte do opositor de Vladimir Putin, chamado Boris Nemtsov, foi certamente alvo de grande consternação internacional, bem como nacional. Milhares de pessoas saíram às ruas não só para fazer manifestações contra o regime de Putin, mas também para homenagear este opositor político que foi assassinado, na passada sexta-feira, em Moscovo.

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O elevado número de manifestantes demonstra que esta morte causou um grande choque na sociedade russa, tanto entre aqueles que o apoiavam, como entre aqueles que o contrariavam. Um choque ampliado pelo facto de este senhor afirmar que iria trazer novidades sobre o confronto na Ucrânia, e sobre o envolvimento direto de tropas russas no conflito civil naquele país

Tudo me faz lembrar um outro incidente que aconteceu há 100 anos atrás. Eu não sei se já ouviram falar de um famoso esquerdista francês, Jean Jaurès. Era uma das grandes figuras que se opunha ao crescente espírito belicista que imperava na Europa no início do Século XX, e que, eventualmente, daria azo à Primeira Guerra Mundial. Ora, este homem tinha planeado fazer uma conferência pela paz no início de agosto de 1914, mas antes que o pudesse fazer, acabaria por ser assassinado enquanto tomava o pequeno-almoço no seu café preferido em Paris (31 de Julho de 1914).

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Como Nemtsov, também foi alvejado, e, como Nemtsov, a sua morte aconteceu pouco antes de tentar fazer um último esforço para evitar que as coisas se tornassem piores do que já eram.

O choque da morte de Jaurès foi tal, que se diz que as pessoas saíram à rua assim que souberam da novidade e começaram a gritar "Mataram o Jaurès! Mataram o Jaurès!". Evidentemente que traçar paralelos históricos é sempre um exercício perigoso, uma vez que cada fenómeno histórico tem a sua própria dinâmica. No entanto, ao pensar nisto, questiono-me se não deveríamos estar a gritar "Mataram o Nemtsov! Mataram o Nemtsov!".

Nota final:

Devo admitir que, de facto, comparações entre eventos históricos usualmente incorrem na realidade de que as mesmas se tornam impossíveis, mas não vãs. Se há coisa que se aprende com a #História é que há regras que se mantêm, e que paralelismos, mesmo tangenciais, tendem a trazer uma nova compreensão de muitas destas realidades.

Por fim, quero deixar bem claro que nenhum destes personagens é realmente inocente. Nemtsov e Jaurès, simbólicos como possam ser nas suas lutas e mortes, têm certamente esqueletos nos seus armários. Mas o que importa reter aqui são as suas tentativas de expor a verdade e o que tiveram de pagar por o fazerem.