Nota introdutória:

Penso Rápido é uma nova rubrica da Blasting News Portugal. É um espaço dedicado a oferecer opinião e análise de temas contemporâneos, em menos de dois minutos, com o propósito de o colocar a si, caro ouvinte, a pensar nestes mesmos assuntos sob novas perspetivas. Aceita o desafio de pensar fora da caixa?

Vendo-se gregos!

Continua esta semana o braço-de-ferro entre Atenas e Bruxelas, rodeado de muitas declarações polémicas, incluindo as mais recentes do Ministro das Finanças Yanis Varoufakis, que falou mesmo em fazer-se um referendo acerca da manutenção da Grécia na Zona Euro. Assim como outras declarações de ministros europeus que ora apoiam ora contradizem a posição do governo grego e criam este ambiente em que se questiona se Atenas permanecerá na Zona Euro ou não. No entanto, creio que todas essas declarações não passam de jogadas na tentativa de se conseguir algo da situação, uma vez que, pelo menos a meu ver, a manutenção da Grécia na Zona Euro nunca esteve realmente em causa.

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Há duas importantes questões acerca deste assunto que convém ter em conta:

A primeira é económica. A saída de um qualquer estado da Zona Euro iria trazer uma quebra de confiança nos mercados e nas populações, já tendencialmente anti-europeístas, que prejudicaria grandemente o que restasse da Euro Zona. Iria afetar e até negar o valor do Euro e afastar investidores em termos gerais. Seria o início da queda da Zona Euro na irrelevância política e económica.

E depois há a questão geopolítica.

Convém ter em conta que o novo governo grego se dirigiu a Moscovo e a Washington ainda antes de falar com Bruxelas. Pelo que existe este receio de que Atenas possa ainda cair na esfera russa. Este seria um grande problema para a NATO e para a Europa em geral. Afinal, a Grécia tem uma posição dominante na ponta Leste do Mediterrâneo, mesmo à entrada dos Dardanelos, dos Balcãs e do Mar Egeu.

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Pelo que é do interesse de todos os envolvidos que a Grécia permaneça na Euro Zona, de preferência por vontade própria. Pelo que temos é de considerar a questão da realpolitik de todo este assunto, e ver para lá daquilo que é transmitido ao público em geral. Ler nas entrelinhas, se me permitem.

Nota final:

Creio que não estou a sobrestimar o impacto que teria a saída da Grécia da UE. Afinal, verificando a linguagem dos maiores analistas a nível mundial, fica-se realmente com a ideia de que existe uma desconfiança da capacidade de coesão dos europeus. Atendendo à história, o início da fragmentação da Zona Euro seria apenas um sinal de que o colapso económico europeu finalmente começara. Em geral, o futuro da Europa permanece negro.

Os russos, por outro lado, devem ter uma opinião dividida em relação a esse facto. Por um lado apreciariam que o dinheiro europeu voltasse a entrar nos seus cofres. No entanto, um colapso europeu significaria que ninguém os impediria de anexar os territórios vizinhos e até parte da Europa Ocidental.