Assim vai Portugal. Ultimamente, o nosso país tem apresentado matéria para produzir ainda mais e melhores novelas. Enquanto Pedro Passos Coelho bloqueia o ex-Director da Segurança Social do seu Facebook, pelos 26 meses em que deixaram de se falar (pela leve acusação de evasão contributiva), José Sócrates, através da rede Wi-Fi da prisão de Évora, lembra-se que ainda pode receber umas boas patacas pelas obras de arte que o seu amigo (leia-se Amigo) Santos Silva adquiriu, e colocou na sua "esfera".

Desse possível valor, Sócrates, como bom samaritano e filósofo que é, tenciona doar parte para garantir que a jornalista do Correio da Manhã seguirá à risca o apropriado, e gentil, conselho do seu advogado, João Araújo, um dos ilustres personagens desta fabulosa novela, que assim atirou, ipsis verbis: "A senhora devia tomar mais banho porque cheira mal". A qualidade da novela Sócrates pauta-se, precisamente, por esta imprevisibilidade de situações.

Sem sombra de dúvida que, desde 21 de Novembro, data da detenção do ex-PM, o número de ligações a novos nomes e negócios, suspeitas, e provas, tem aumentado exponencialmente, e a cada momento, o juiz Carlos Alexandre parece estar mais convicto de que o puzzle, apesar das inúmeras "peças", de diferentes tipos e origens (e muitas delas perdidas e destruídas), se encaixam e fazem sentido, a ponto de podermos afirmar: "só não vê quem não quer ver".

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A certeza de que Sócrates se vai nacionalizar alentejano é cada vez maior e, por isso mesmo, há que perceber o seguinte: ser descarado é aceitável neste país, mas interpor 5 (cinco!!!) habeas corpus, com o intuito de ser libertado imediatamente, em tão curto espaço de tempo? A retórica aqui é clara: que advogado poderá defender acerrimamente um canalha, se ele próprio também não o for?

A novela fecha ainda com a figura de António Costa, que voltou a prometer a reposição de salários, pensões e a taxa do IVA nos 13%. Será esse o perfil que Cavaco Silva anda a traçar, no jardim de Belém, ou passará mesmo por nomes como Durão, Vitorino e Guterres? As #Eleições legislativas no próximo Outubro, e presidenciais no início de 2016, serão mais uma novela... a não perder. #Governo