Todos nós já fomos abordados por comerciais. Na rua, no centro comercial, nas estações de metro e de comboio e, claro, em casa. E a verdade é que ninguém quer ser o comercial que aborda as pessoas e que frequentemente é recebido com um "não", um abanar de cabeça ou uma total indiferença. Mas também ninguém quer ser aquele que é abordado, tentando várias estratégias para escapar ileso a qualquer estratégia comercial.

O verdadeiro problema é quando nos telefonam dia sim, dia não, para o telemóvel a vender coisas. Ora são coletâneas dos grandes clássicos da literatura, ora são promoções em clínicas dentárias, ora a possibilidade de viajar com 50% de desconto.

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De facto, são coisas muito interessantes, mas quando estamos 19 minutos ao telefone a dizer repetidamente que não estamos interessados, a situação começa a aborrecer. Só um bocadinho…

Embrulhar incessantemente o que se diz em diferentes roupagens linguísticas não significa que a resposta passe de um "não" para um "sim". Respeito e compreendo o trabalho, eu próprio já o fiz, ainda que durante um curto período de tempo. Ainda assim, o bom senso é crucial.

Não adianta mudar o nome se tudo se mantém: é indiferente se somos abordados por um gestor de clientes, angariador, consultor ou delegado. A mudança de estatuto depende apenas do que a criatividade permitir, sempre na tentativa de ultrapassar a carga negativa que ser comercial foi adquirindo ao longo dos anos. Mas como já referi, é preciso mais do que mudar apenas o nome.

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A renovação superficial é pior do que nenhuma renovação. Não só não é bem-sucedida na concretização dos eventuais objetivos pretendidos, como acaba por gerar confusão e desconhecimento. É a perda da identidade, num mundo em que ter identidade é cada vez mais importante. A mudança não é negativa, bem pelo contrário. Mas quando acontece, tem de ser bem-estruturada.

Aqui fica a dica, o desabafo e, acima de tudo, o grito de alerta. Ser comercial pode ser uma profissão dignificante. Tudo depende do modo como é exercida. Afinal, bons e maus profissionais existem em todo o lado. Certo?