De entre os seus campos verdejantes e suas quentes águas vulcânicas, a maior ilha do arquipélago agarra-nos sem depois voltar a largar. Aqui, o nosso espírito é levado para o mais profundo da natureza e elevado a um estado de leveza superior, a uma tranquilidade absoluta que primeiro custa a entender, depois se torna difícil não aproveitar e, por fim, custa tremendamente perder. Nesta terra, o tempo só não pára porque o Sol tem que se levantar para depois se pôr, porque as nuvens têm pressa e porque os pássaros precisam de continuar a voar. O difícil é não nos deixarmos parar no tempo, contrariando os feitiços que as criptomérias parecem lançar sobre nós e lutando contra a magia que o nevoeiro empresta ao espaço que nos rodeia.

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Terra de odores, emoções, imagens e texturas. Se Atlântida não afundou, eu julgo que a encontrei. Como dirá um senhor que facilmente preencherá a memória de quem tiver o prazer de o conhecer, para falar nos Açores é preciso pôr-se em sentido. Mais do que isso, para falar dos Açores é preciso senti-los e vivê-los... e aqui, aqui sabe mesmo viver-se.

Agora que as ligações ao Velho Continente se tornaram mais acessíveis, a porta para este paraíso natural passou de estar entreaberta para estar escancarada. Nos dias que correm, parece-me que se vive algum optimismo temperado com uma forte dose de cepticismo, partilhado entre aqueles que querem ver o turismo crescer e aqueles que temem perder o que a ilha tem de melhor. Eu espero, e deve esperar qualquer habitante consciente de cada uma destas nove ilhas, que a chegada das low cost aos aeroportos venha acompanhada de uma política sustentável de gestão do turismo na região, pois ganharíamos todos.

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Não acredito que um sítio tão especial quanto este se venha a perder, mas antes que me possam provar que estava errado, atirem-se e vão conhecer. Como portugueses, vão conhecer uma parte de vós.

O nosso querido Manoel de Oliveira disse, um dia, preferir o paraíso pelo clima e o inferno pelas companhias, eu cá diria que prefiro os Açores pelos dois.