A estratégia de António Costa, líder do Partido Socialista e candidato a primeiro-ministro de Portugal, e a do então candidato Alexis Tsipras, actual primeiro ministro da Grécia, é a mesma: Prometer Dar! Dar o que não têm e sabem que não irão ter, a menos que se comprometam com um qualquer programa de resgate, seja da Troika, ou de qualquer uma das 3 instituições, Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI.

Já a abordagem de António Costa é muito diferente, talvez por ser um pouco mais experiente, por não querer ser confundido com o líder do Syriza, Coligação da Esquerda Radical, ou só por usar gravata. Por isso, experimenta em Portugal uma forma inovadora de Prometer Dar: chama, solicita, contrata (não se sabe) um reputado grupo de 10 economistas, 7 sem filiação partidária e 3 militantes socialistas, para justificar cientificamente as promessas em carteira nas próximas eleições legislativas de Outubro.

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E temos o mediático Relatório "Uma Década para Portugal" lançado na passada terça-feira, dia 21, com pompa e circunstância.

A reputação e a credibilidade da maioria dos economistas que assinam o referido estudo é inquestionável, por isso as conclusões e as propostas que preconizam são idóneas e comprováveis academicamente. Tal como seriam outras conclusões ou outras propostas, encomendadas por exemplo pelo PSD, ou mais facilmente pelo PCP, a um qualquer outro grupo de economistas de orientação ideológica diferente.

As recomendações desfiadas no cenário macroeconómico do documento, afinal não são mais do que as promessas anteriormente anunciadas pelo PS, por exemplo a redução da taxa de IVA para 13%, no sector da restauração, outras são ainda a versão acelerada do Plano de Estabilidade e Programa Nacional de Reformas aprovado pelo Governo, havendo ainda algumas que introduzem o suposto radicalismo "syrizesco", como o novo imposto sobre as heranças.

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Na verdade, nota-se uma certa condescendência em relação ao dito Plano de Estabilidade de responsabilidade da Ministra de Finanças, Maria Luís Albuquerque, pois os autores do Relatório não conseguem acabar com a sobretaxa, nem repor os cortes salariais aos funcionários públicos em 2016, mas apenas em 2017.

Se Alexis Tsipras tivesse encomendado uma análise académica idêntica a outros tantos economistas gregos, fundamentaria devidamente as suas promessas, mas não as evitaria, ou as alteraria, já que se o fizesse não chegaria ao poder, como aconteceu. A grande questão é que no caso da Grécia sabemos o que aconteceu ou o que está a acontecer. Na passada quinta-feira, dia 23, em Bruxelas, em reunião privada, o ministro helénico Tsipras pediu, repete-se, pediu à chanceler alemã Angela Merkel um acordo provisório até ao fim de Abril, para evitar a bancarrota grega. No caso de Portugal, acabado de vencer um duríssimo programa de resgaste, a caminho do saneamento das contas públicas e da preconizada saída do procedimento por déficit excessivo, será lamentável, desastroso e até traumático para os portugueses o "voltar atrás", o novo recuo de mais uma década, apenas por razões eleitorais, partidárias e de clientelas.

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Os portugueses anseiam por mudança, por "bom vento", por melhoria das condições de vida, mas ainda mais pela verdade, para tão cedo não voltarem a ouvir falar de crise. Aos políticos, especialmente os que têm ou venham a ter responsabilidades de chefia governamental, exige-se respeito e seriedade por todos os cidadãos, e não "clonar" de forma académica a velha e gasta estratégia de Prometer Dar. #Eleições