Petit, o treinador axadrezado, afirmou esta quinta-feira que o Boavista "tem tido uma boa família dentro do balneário", o que terá, em grande dose, contribuído para a excelente temporada que a equipa tem feito. Quando, há cerca de 10 meses, o Boavista se apresentou para a luta, no regresso ao escalão máximo do #Futebol português, poucos acreditavam que conseguisse outro lugar que não o último na classificação. O plantel era inexperiente, com muitos jogadores vindos do terceiro escalão, e Petit, também ele, não tinha ainda qualquer experiência nos comandos de uma equipa ao mais alto nível, o que fez com que muita gente torcesse o nariz.

"Sinto muito orgulho por ter apostado em jogadores desconhecidos, mas eles também têm de sentir orgulho. Também eu andei nas divisões inferiores", disse Petit.

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"Os jogadores que me acompanharam da época passada demonstraram muita capacidade e vontade de se afirmarem. Todos os dias querem crescer", conclui o técnico da equipa revelação.

Terá sido esta sede de afirmação dos jovens valores do plantel uma das forças da equipa. Mas não foi a única. Salta à vista a união, a garra da pantera. Os jogadores entregam-se como nenhuns, lutam pela camisola como não se via há anos. Dão tudo o que têm, correm, vão a todas as bolas, sem nunca desistir. Superam-se e ultrapassam as suas limitações. Não são os melhores tecnicistas do mundo, mas são, sem dúvida, os melhores jogadores do mundo.

Esta garra é contagiante e estes jogadores souberam entender o jeito especial que é ser boavisteiro. Perceberam que jogar no Boavista é, sempre foi, dar o máximo em campo, como os adeptos dão o máximo na bancada.

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O boavisteiro sofre como poucos, é apaixonado pelo seu clube e isso foi transposto para dentro das quatro linhas, por uma equipa à imagem do seu treinador.

A Direção do clube soube entender a nova realidade. Percebeu que o plantel teria que ser de acordo com as parcas possibilidades financeiras e que a contratação de nomes desconhecidos era uma obrigatoriedade. Apostou em jovens portugueses e na formação. Escolheu ficar com o relvado sintético e continuar a ter as camadas jovens no Bessa. Antecipou que a escolha inteligente do relvado seria uma vantagem e o futuro.

Os adeptos reconheceram e, aos poucos, voltaram a apoiar a equipa. Os números continuam longe dos de há uns 10 anos atrás, mas, lentamente, o clube tem crescido. Ao ritmo da equipa, que de besta passou a bestial, de condenado passou a exemplo para os outros.

Há poucos clubes em Portugal a demonstrar a mesma garra que o Boavista. A garra da pantera que lutou para sobreviver, esteve moribunda, mas que se recusou a desistir, mesmo sem receber da Federação a devida indemnização compensatória.

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O futuro ainda é muito incerto (como para a grande maioria dos clubes nacionais), a estrutura ainda terá de passar do atual amadorismo para o obrigatório profissionalismo, mas se Petit e os seus meninos o conseguiram dentro do campo, ninguém terá desculpa para não o conseguir nos seus gabinetes.