O Governo anunciou há algum tempo a sua intenção de venda a privados, através da concessão do serviço público, dos transportes públicos fundamentais para a cidade de Lisboa. Depois de se ler as 10.000 páginas do caderno de encargos, percebe-se o que vai acontecer a esta parceria público-privada. Está aberto o concurso para esta parceria, com uma concessão de 9 anos do Metropolitano, e existem muitas empresas interessadas. E percebe-se a razão. O caderno de encargos diz que a empresa privada fica com 1100 trabalhadores, que ao fim de 2 anos podem ser despedidos, uma percentagem km/carruagem, a exploração das lojas, as tarifas dos bilhetes e as receitas da publicidade.

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O Metro, a empresa pública, fica com os restantes 330 trabalhadores e com a manutenção. A empresa privada fica sem nenhuma responsabilidade sobre a manutenção, e, se houver algum problema nas instalações, só pode pagar até 3,5% de custos. Se tiver mais do que 1% de perdas ou encargos, esta será ressarcida e paga pelo #Governo, com dinheiro dos contribuintes. A manutenção está na calha para ser entregue à Siemens, se assim for os trabalhadores, como é evidente, serão despedidos, pois a empresa pública, que vai ficar com a totalidade dos encargos, vai ficar sem trabalho para eles, e por isso não terá dinheiro para pagar aos seus funcionários.

Em resumo, este será um negócio protegido pelo Governo. Desta forma, o privado fica a gerir e a receber os lucros e o público, segundo o caderno de encargos, fica com os prejuízos.

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Esta situação coloca também em causa a sustentabilidade da Segurança Social, tendo em vista os futuros despedimentos.

Os candidatos a este concurso público internacional têm, até 14 de Maio, para apresentar as propostas, e estará concluído até ao final de Julho. As datas podem ser alteradas se a Câmara Municipal de Lisboa impugnar o concurso. A Câmara de Lisboa vai tentar negociar com este Governo a gestão do Metro, por um período entre 5 a 10 anos, defendendo, depois desse período, a titularidade destas empresas para o município.