Quando os cerca de 64 mil espectadores que estiveram hoje no Estádio da Luz viram um abraço fraternal entre Jorge Jesus e Lopetegui, antes da partida, certamente pensaram que o desfecho poderia ser diferente, dada a rivalidade entre equipas e à importância do resultado desta partida. Mas a verdade é que o mesmo abraço voltou a ser repetido no final da partida, só que desta vez o treinador portista aproveitou para segredar algo ao ouvido do líder dos encarnados. Jorge Jesus primeiro não percebeu, mas depois não gostou.

Mas para descobrirmos o que frustrou Lopetegui na hora de tão suposto reconfortante abraço, é necessário recuarmos ao balneário, algum tempo antes da partida.

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O espanhol decidiu que Quaresma não jogava, tirando-o do onze que se apresentou na Alemanha. É certo que o jogador estaria cansado, mas poucos devem duvidar que foi mesmo por opção táctica, sendo que essa opção revela muito do que pensa Lopetegui em relação ao seu #Futebol, e do tanto que compreende a essência do futebol português.

Lopetegui perdeu logo um elemento extra ao não colocar um jogador que sabe o que é um clássico contra o #Benfica, porque, para além de Helton, que se mostrou à altura, todos os outros não têm a mínima noção do que realmente significa todo o ambiente envolvente ao jogo, mas Quaresma tem. Quaresma, na raiva, em busca da vingança, da humilhação dos encarnados, teria dado outro contributo, não só à equipa, mas também ao jogo. Estou certo que Quaresma daria um golo, a marcar ou a assistir, e isso faria com que Jorge Jesus fizesse aquilo que Lopetegui queria que ele fizesse: jogar para marcar.

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Lopetegui ficou irritado, mas foi consigo próprio, e descarregou em quem lhe deu o ombro. Só Lopetegui tem culpa do Benfica ter jogado como jogou, pois ao treinador portista apenas cabia fazer com que o F.C. Porto marcasse um golo, e isso não aconteceu. Se o treinador portista ainda não percebeu que Jackson Martinez não tem marcado golos ao Benfica quando é preciso, estou certo que muitos já perceberam. Se ainda não percebeu que o estilo que ele queria implementar na equipa não servia para furar o meio campo encarnado, Jorge Jesus percebeu. Lopetegui levou uma autêntica "banhada" no Estádio da Luz, tanto a nível táctico, como a nível do futebol português, onde ele tem de perceber que os jogadores contam mais nestas alturas do que uma táctica ou um treinador. #F.C.Porto