No início de Abril, Alexis Tsipras visitou a Rússia e encontrou-se com Putin e com Alexey Miller, o chefe da Gazprom, a mega-petrolífera Russa. O objectivo foi captar investimento russo para a Grécia. Isto pode ser um sinal que a Grécia está a pensar sair do Euro? Ou tratam-se apenas de movimentos políticos para salvaguardar a economia grega, em caso de um colapso financeiro? As respostas poderão ser encontradas no modo como as instituições financeiras têm reagido a esta súbita aliança Grécia-Rússia. Por exemplo, o BCE (Banco Central Europeu) mostra-se nervoso em aceitar negociar títulos da dívida soberana grega em troca de dinheiro. Porque temem que a Grécia, ao sair do Euro, deixe de ser obrigada a pagar as dívidas, porque o padrão da moeda se alterou.

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A visita de Tsipras causou mal-estar na comunidade europeia. Porque embora não sendo a primeira vez que Atenas e Moscovo atam laços diplomáticos, desta vez, houve uma clara intenção de Tsipras trazer para a Grécia investimento russo. O que é contraproducente com o regime de sanções económicas que a UE gerou, para castigar a Rússia por um alegado ataque aéreo de um avião das Malaysian Airlines, na Ucrânia.

Os credores estrangeiros da Grécia também se negam a entregar a Tsipras 7,2 mil milhões de Euros de empréstimo enquanto Atenas não apresentar um programa de reformas económicas aceitável. Tsipras recusa-se a criar qualquer obediência ao estrangeiro, mesmo em forma de "programa de reformas". Isto pode significar que Tsipras tem a protecção da Rússia e não deve mais obediência às pressões económicas.

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Mas Atenas está desesperada. Na segunda-feira, o governo de Tsipras emitiu um "decreto de emergência" para congelar os pagamentos de 1.500 instituições públicas, incluindo autarquias locais. O objectivo era garantir o pagamento de pensões do sector público, salários de trabalhadores e a "dívida soberana".

O montante de depósitos bancários na Grécia também continua a cair. Isto demonstra a desconfiança dos gregos no sistema bancário. Para se ter a noção da gravidade da situação, em 5 meses, entre Outubro de 2014 e Fevereiro de 2015, os bancos gregos perderam a confiança dos depositantes gregos em 94 mil milhões de Euros. Mas os bancos gregos estão a aproveitar os 74 mil milhões de euros, do empréstimo do BCE, para repor a vaga de depósitos desaparecidos.

Os mercados financeiros internacionais e funcionários da UE advertem que esta "tragédia grega" de empréstimos internacionais e queda na confiança interna da economia grega podem fazer com que a Grécia saia do Euro.

Tsipras deu esse sinal quando visitou Moscovo? #Política Internacional