As regras presentes no Portal de Saúde de Portugal são claras: "podem doar sangue todas as pessoas com bom estado de saúde, com hábitos de vida saudáveis, peso igual ou superior a 50 kg e idade compreendida entre os 18 e os 65 anos. Para uma primeira dádiva o limite de idade é os 60 anos". Não se encontra em lado nenhum que os homossexuais não o podem fazer. No entanto, é uma realidade que, infelizmente, se mantém. Muitas das pessoas que trabalham nos centros de recolha de sangue impedem os homossexuais de doar sangue, com base em preconceitos.

As pessoas tendem a associar a homossexualidade à transmissão de SIDA, mas os dados estatísticos mostram que a transmissão do vírus tem aumentado em pessoas heterossexuais e tem diminuindo tanto em toxicodependentes, como em homossexuais ou bissexuais.

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Em 2011, 63% das pessoas que transmitiram o vírus da SIDA eram heterossexuais, 17,5% eram toxicodependentes e 16,5 eram homossexuais ou bissexuais. Assim, proibir pessoas homossexuais ou bissexuais de doar sangue, com o argumento de que apresentam "comportamentos de risco", já não faz qualquer sentido.

Eu sei que muitas pessoas vão pensar "mas se a pessoa quer assim tanto doar sangue, por que é que não diz que é heterossexual?". Para essas pessoas eu pergunto o seguinte: se só os homens fossem autorizados a fazê-lo, as mulheres deviam fazer-se passar por homens para ir doar sangue? A esta pergunta já me costumam responder "óbvio que não". Ora, a minha opinião é igual: claro que não. Não existe qualquer razão lógica para os homossexuais serem proibidos de doar sangue, tal como não haveria qualquer razão lógica para as mulheres não poderem fazê-lo.

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Além disso, se toda a gente se fizesse passar por heterossexual a sociedade não evoluía. Tal como não teria evoluído se as mulheres em vez de lutarem pelos seus direitos, se tivessem disfarçado de homem para poderem votar, usar calças, trabalhar, ir a um bar e todas as outras coisas que começaram por só serem permitidas a homens. Felizmente já não se encontram tantas pessoas racistas, machistas ou homofóbicas, e eu tenho esperança que a nossa sociedade continue a evoluir, cada vez mais, para uma sociedade sem preconceitos.