Após vacilações e declarações polémicas acerca da qualidade do acordo que estaria a ser trabalhado em relação à questão nuclear iraniana, surgiu finalmente a possibilidade de um compromisso para o estabelecimento do mesmo. O repúdio do acordo de não-proliferação de 1968 e a busca por modos de produzir uma arma nuclear levaram à desconfiança em relação a Teerão por parte do Ocidente e dos seus aliados. A juntar a isto haveria ainda a dinâmica de esferas políticas da Guerra Fria, com Washington a apoiar tendencialmente os estados Sunitas, enquanto Moscovo suportava o Irão, utilizando o já longo conflito entre as duas maiores vertentes dos Islamismo para fazer vingar os seus interesses e o mercado petrolífero.

Com o virar do milénio os EUA, sob os auspícios de George W.

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Bush, assumiram uma postura de poder duro, com intervenções militares no Médio Oriente e Ásia Central. Os atentados do 11 de setembro certamente que foram um catalisador desta abordagem, mas o domínio político da região que mais petróleo exporta certamente que já estaria na agenda americana há muito tempo. Infelizmente para os Estados Unidos, a intervenção direta implica graves custos, e apesar de certas empresas e indivíduos terem enriquecido, no geral a banca americana endividou-se mais ainda. Pior ainda, criou tensão direta para com poderes opostos à sua agenda, nomeadamente o Irão, com a possibilidade de invasão desse país a fazer parte da retórica de ambos os lados desde então.

O governo de Barack Obama assumiu-se como uma mudança do poder duro do anterior presidente para uma abordagem mais branda, isto é, jogadas de bastidores como elemento principal ao invés da simples intervenção militar.

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Na prática, pouco disto se viu desde então. Contudo, segundo teoriza o analista George Friedman, a escolha da via diplomática e de um acordo com o Irão poderá ser o culminar dessa tendência para o poder brando. O que isto quer dizer é que a nova estratégia de Washington para impor a sua vontade na região passaria por manter o equilíbrio de poder entre Riade e Teerão, jogando as inimizades de ambos os blocos contra eles mesmos, sustentando um status quo que manterá os EUA como o grande poder por detrás do véu.

Verdade ou não, esta abordagem poderá justificar o interesse americano em garantir um acordo com o Irão, e o mais depressa possível, antes que as guerras no Levante e no Iémen terminem ou se descontrolem, e antes que a Turquia possa agir em seu próprio proveito. Contudo, nem todos estão satisfeitos com estes eventos. O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, já disse que convém que o público não se deixe levar pelo otimismo excessivo, contrariando a retórica quase triunfante dos enviados alemães.

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Já Benjamin Netanyahu, o Primeiro-Ministro israelita, declarou que qualquer acordo a ser assinado deveria implicar a aceitação por Teerão da existência de Israel. Tenha-se em conta que a questão israelita já há muito que faz parte da retórica iraniana, que consistentemente declarou que o estado judeu deveria ser aniquilado, e a possibilidade de existência de armas nucleares em Teerão certamente que é vista como um risco existencial. Telavive possui acordos com Riade acerca de possíveis ataques às centrais nucleares iranianas, a levar a cabo caso surja a necessidade.

Em Teerão, contudo, a possibilidade de um compromisso foi recebida com alegria, uma vez que representará o levantar das sanções económicas e a aceitação do país como uma potência legítima. #Política Internacional