Quando falamos em Angola, o tema é quase sempre encaminhado para um país cheio de recursos naturais, de onde se destacam a extração de diamantes e petróleo. Estes dois recursos têm enchido os cofres ao país, mas a evolução de Angola não tem sido diretamente proporcional em relação aos ganhos obtidos. Investimentos milionários têm sido canalizados principalmente para a sua capital, que se encontra em remodelação total e onde está a ser criada uma baía renovada. Depois de ter sido reconstruída toda a sua marginal, ao caminharmos pelas ruas adjacentes somos confrontados com uma disparidade enorme entre prédios devolutos e torres gigantescas a serem erguidas.

Publicidade
Publicidade

A Blastingnews teve hipótese de visitar a capital angolana e encontrou uma cidade cheia de contrastes. Nos últimos anos o governo angolano tem gasto milhões de dólares a renovar toda a baía de Luanda, fazendo deste local um ponto de encontro e de lazer para a população. O espaço é agradável, principalmente ao final do dia, quando se pode desfrutar de um pôr-do-sol magnífico. Mas nem tudo são rosas; em frente à baía temos a não menos afamada Ilha de Luanda, que começa a ser carregada de construções e cujos projetos futuros visam encher este espaço balnear com blocos de apartamentos.

Percorrendo a baía de Luanda somos confrontados com uma zona em total reconstrução. Gruas e mais gruas marcam uma paisagem de contrastes entre torres acabadas de ser erguidas, prédios bastante antigos e alguns prédios abandonados.

Publicidade

No futuro este espaço será o centro empresarial do país: no entanto não será um local para qualquer "bolso", tendo em conta o nível de vida do povo angolano. Um pouco mais acima da baía temos a designada "cidade alta" onde se encontram alguns ministérios, a casa presidencial e a mais recentemente erguida mas não menos luxuosa Assembleia da República.

No entanto, Luanda não tem apenas zonas de luxo ou a serem reconstruídas para que passem a pertencer a um nicho de população muito específico. Bairros de casas amontadas sem condições mínimas para que as pessoas possam viver é o que mais se encontra nas periferias do centro da cidade. Nestes bairros os contrastes não existem, pois a pobreza é geral e abrange todos os que lá vivem; não existem torres residenciais a ser erguidas nem zonas de lazer. As pessoas que lá vivem aguardam que a renovação da cidade também os acolha num futuro próximo.

Por último, mas não menos importante ou acolhedor, visitamos a ilha do Mussulo. Um espaço bastante agradável, mas que está a ser invadido com pequenos resorts para acolher clientes angolanos e estrangeiros que trabalham em Luanda, que utilizam este espaço como um retiro espiritual para recuperar energias.

Publicidade

Apesar do ser uma zona tranquila, falta alguma organização para que este pequeno paraíso não seja destruído com amontoados de casas e hotéis.

A quebra do preço de petróleo fez com que o orçamento inicial para 2015 tivesse de ser revisto pelo governo angolano e por consequência alguns investimentos em infraestruturas sociais foram adiados. Como estratégia para suprimir um défice público estimado em 7%, após revisão orçamental, o governo angolano optou por recorrer a empréstimos em diferentes instituições financeiras internacionais. Estima-se que em 2015 Angola pague 5,3 milhões de euros por dia em juros e que a sua dívida pública seja de 41,9 mil milhões de euros, ou seja o equivalente a 45,8% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para que as construções não parem. #Negócios #Turismo