Stefan Effenberg, ex-médio do Bayern de Munique no princípio dos anos 90, afirmava categoricamente, após o sorteio dos quartos-de-final da Champions, que o #Futebol Clube do Porto não tinha chances de passar à fase seguinte. Os Dragões entraram em campo esta quarta-feira como os outsiders e ninguém esperava que a "zebra" aparecesse e fintasse a arrogância alemã. Frente a uma formação bávara mutilada pelas ausências dos seus diamantes - Arjen Robben e Franck Ribéry - os azuis e brancos surgiram destemidos a confrontar os permeáveis centrais alemães.

A "wildcard" jogada por Lopetegui foi o súbito reaparecimento de Jackson no onze titular.

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Se havia dúvidas quanto ao estado físico do avançado, estas dissiparam-se quase de imediato após o apito inicial. Jackson irrompeu perante um adormecido Xabi Alonso e (com falta ou sem falta) só parou quando, isolado, Neuer se viu obrigado a derrubar o colombiano. Quaresma não hesitou na marcação da grande penalidade e os alemães viam-se em desvantagem aos 3 minutos de jogo. Pouco depois, outra falha monumental, desta vez de Dante, e o Harry Potter mais uma vez sem medo, roubou a bola e cilindrou Neuer pela segunda vez.

Nem o golo de Thiago Alcântara apoquentou os portistas, que continuavam a pressionar, sem dar espaço a Muller, Gotze e Lewandowski. Destes pouco se viu durante o jogo. Já Jackson, Oliver e o mago Quaresma persistiram a dar dores de cabeça aos germânicos. O espanhol revirava adversários com uma facilidade tremenda.

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Exibia todo o seu talento e sentava campeões do mundo como Alonso e Lahm.

No fim, Lopetegui conseguiu levar dois golos de vantagem para Munique e uma lição de humildade que deixa a Invicta a sonhar com as meias. A partida de terça-feira será ainda mais difícil, principalmente tendo o FC Porto perdido os seus laterais. Contudo, já ninguém tira o gozo a uma nação de ter dado um banho de bola à mais forte formação alemã. Um pontapé nas estatísticas. Um abalo nas estruturas dos gigantes. Em Portugal também se joga à bola.

Qual foi a chave para esta vitória? Terão sido as ausências na equipa bávara ou o cansaço de terem apenas 14 jogadores disponíveis para todas as competições? A verdade é que de um lado estavam 6 campeões do mundo (Neuer, Lahm, Gotze, Boateng, Muller, Xabi Alonso), uma equipa com um orçamento muito superior a qualquer formação do campeonato nacional (só Neuer e Gotze perfazem mais de 60 milhões!), e do outro estava a equipa mais jovem em competição e muito mais humilde em termos financeiros.

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Lopetegui foi inteligente em assumir as fraquezas dos alemães, orientados pelo ex-colega de equipa no Barcelona. Guardiola coçava a cabeça e parecia desorientado. Martins Indi cobriu de forma perfeita os avançados adversários e não deu espaço para que fizessem uma única ocasião de verdadeiro perigo. Desde 1987 que uma equipa portuguesa não vencia o Bayern. Desde Viena. Em solo luso então, é um feito inédito.

Quem inicialmente dizia que não havia chances e que era impossível ultrapassar o Cabo das Tormentas, tem que engolir em seco a exibição de luxo desta quarta-feira. A receita para a próxima mão é suar até ao último segundo e não dar espaço aos endiabrados alemães para respirarem. Espera-se um Bayern a fumegar na Allianz Arena. Tragam esse extintor! #F.C.Porto