Depositamos no chefe e no #Governo a forma de conseguirmos solucionar os nossos problemas, esvaziando toda a possibilidade de realizarmos as mudanças internas necessárias. Como estamos focados exclusivamente nas nossas necessidades tendemos a evitar pensar e criar. Está no código secreto da 'sociedade de consumo' de serviços a ideia que uma necessidade, seja de comer ou de uma promoção no emprego, depende mais da compra de serviços (ex: compra de bens, formação, educação, comunicação social, etc.), de um governo ou mesmo de um chefe. Nada de novo face às primeiras civilizações, onde a divisão do trabalho retira ao indivíduo a sua intrínseca capacidade cognitiva de criar.

Publicidade
Publicidade

Se desviarmos esta ideia para o campo político isso torna-se mais notório. O comunicação social vende mais rápida e eficazmente um comentário de um político que uma solução para que um indivíduo modifique a sua vida no plano prático. Portanto estamos mais vocacionados para delegar nos políticos a decisão acerca da nossa vida que aprender a lidar individualmente com os problemas que nos deparam. Certo que os políticos decidem as leis mas somos nós que as executamos. Sem lei não há poder. Mas sem indivíduo não há lei.

O exemplo mais evidente disto mesmo é a ideia de 'estado social'. A base natural desta ideia é que o indivíduo sozinho não consegue satisfazer as suas necessidades, sendo portanto necessário um colectivo formal que o garanta à partida. Para muito poucos indivíduos isto é válido, nunca para toda a população, como é o nosso caso.

Publicidade

Portanto, é o indivíduo, nesta sociedade capitalista de bens e de serviços, que se mantém mais focado nas suas necessidades que nas suas capacidades que mais sentido dá ao 'estado social' e, por isso, a toda a máquina demagógica dos políticos de centro-esquerda.

A mudança política opera-se no interior do indivíduo na sua perspectiva face a necessidades-capacidades. Aliás, com o crescente avanço demográfico mais não estamos que a caminhar para a criação de super-estados e super-ditaduras. O estado irá sobrepor-se ao personalismo e à liberdade individual e isso é uma regressão civilizacional.