Na viragem do século a Índia foi com alguma justiça incluída no grupo de países designados de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cujas perspetivas de crescimento económico pareciam apontadas para dominar o mundo durante o Século XXI, afastando os nomes sonantes do pós-Guerra Fria. De lá até agora, apenas os dois grandes poderes asiáticos puderam dizer ter feito alguma justiça às previsões.

O Brasil está afundado numa grave crise de confiança política, sustentada pela corrupção inerente ao seu governo. A Rússia está sujeita a graves sanções económicas e comprometida numa guerra que se arrasta na Ucrânia. E a África do Sul vê o regresso da violência sectária, enquanto o seu desempenho económico vai deixando muito a desejar.

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Com isto dito, contudo, nem tudo vai bem nas economias ainda descritas como sendo aquelas que apresentam maiores crescimentos no mundo. A China continental tem vindo a ver a sua performance diminuir severamente com o crescente desinteresse do Ocidente pelos seus produtos e uma ainda premente desigualdade interna. Pequim tem ainda graves questões sociais e governamentais que tem tentado resolver nos anos mais recentes.

Tendo em conta os problemas dos seus rivais, seria de prever que a Índia, atualmente a sétima maior economia global, estivesse bem encaminhada para ser a potência económica dominante, e as mais recentes estimativas de várias agências financeiras parecem sustentar essa teoria. Nova Deli tem lucrado bastante com a descida dos preços do petróleo, e as ações de Raghuran Rajan, o governador do Banco Central, ajudaram a atrair bastantes investidores.

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Historicamente, a liberalização trazida após o final da Guerra Fria levou a um crescimento exponencial que foi acompanhado de uma melhoria geral das condições de vida. É um facto que sustenta o otimismo em relação a esta realidade. Contudo isto não significa que as melhorias sejam amplas, ou consistentes.

Números oficiais estimam que cerca de um quarto da população indiana, de cerca de 1,2 mil milhões, viva abaixo do limiar da pobreza. No entanto, fontes dentro do governo de Nova deli têm nos últimos anos afirmado que a realidade estaria muito acima desses números, com as condições de vida a serem especialmente difíceis nas amplas zonas rurais. Este é um dos grandes desafios do governo deste país.

Um outro desafio será a educação, que também requer ainda amplos investimentos para realmente permitir ao país saltos reais na base industrial e tecnológica. Apesar de produzirem centenas de milhar de finalistas todos os anos, as universidades indianas ainda lutam para conseguir colocá-los (ou pelo menos uma boa percentagem dos mesmos) nos níveis estabelecidos pelas instituições de outras nações.

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Na questão da engenharia, teme-se que empresas como a HAL promovam fracas culturas laborais, que afundam projetos em erros, atrasos e corrupção. O já referido caça Tejas tem estado em desenvolvimento há cerca de 30 anos, e seu motor, o Kaveri, tem também sofrido de atrasos graves. Conquanto se possa oferecer alguma desculpa através da falta de experiência, a realidade é que o tempo e dinheiro já investidos nestes projetos deveriam ter sido capazes de suplantar a maioria dos desafios. No entanto, Nova Deli irá, como referido, gastar diversos milhares de milhões de euros em equipamento militar estrangeiro, com alternativas nacionais em vista, mas desastrosamente atrasadas.

Mas a história não acaba aqui. #Política Internacional