Foi recentemente para o ar na televisão portuguesa (TVI) uma reportagem que mostra o caos em que se encontram os serviços públicos de saúde. Triste realidade esta, onde vemos um hospital público que mais parece um hospital de campanha em tempo de guerra. Tal como costumamos ver em filmes sobre as frequentes guerras que foram acontecendo ao longo dos anos. Foi numa grande reportagem, e graças ao excelente trabalho da jornalista Ana Leal que verificamos o caos instalado em Portugal, quando existem alguns picos de urgências nos serviços nacionais de saúde.

Portugal, afinal, é um país desenvolvido ou de terceiro mundo? Pelas imagens que foram reveladas acho que não existem dúvidas a qual deles pertence.

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Camas amontoadas, macas pelos corredores, falta de espaço, falta de médicos e enfermeiros, falta de serviços e até falta de material básico como gel de limpeza e papel, foram algumas das palavras que ouvimos ao longo desta reportagem. Isto para não relatar o simples facto de terem sido observados pelos repórteres casos em que os pacientes urinavam e defecavam onde estavam e ninguém os mudava ou limpava devido à falta de recursos.

Os espaços eram poucos para doentes, tanto que numa sala onde deveriam estar 15 utentes em espera, estavam cerca de 30 ou mais utentes em risco de vida, com apenas 2 ou 3 enfermeiros para lhes prestar todo o apoio necessário. Neste caso que se resumia a nenhum, pois é impossível chegar a todos os utentes. Infelizmente esta é uma situação que se verifica em muitas urgências de vários hospitais espalhados pelo país, incluindo os da cidade de Lisboa, a cidade que tantos prémios tem arrecadado pelo turistas que nos visitam.

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Mas não só Lisboa. Destacam-se ainda Chaves, Seia, Santa Maria da Feira, Caldas da Rainha, Setúbal e Faro.

No entanto, o que mais marcou nesta reportagem foi o facto de que muitos morreram naqueles corredores de guerra sem qualquer assistência. Recordo o facto de dois doentes em estado grave que, sem se conhecerem ficaram de mãos dadas, esperando por algo, mantendo o calor de uma amizade que começou poucas horas antes e que durou até ao fim de algo. No caso de um deles, o algo foi mesmo a morte! Como o narrador da reportagem referiu, e bem, aquilo mais parecia um "matadouro".

Portugueses, vamos acordar e dizer "Basta!" A crise não é desculpa para isto! Basta à falta de serviços básicos, basta à desumanização que está a acontecer, basta à actual política governamental. A hora chegou, só esperemos que não seja a da morte que passou pelas salas do "matadouro" do Serviço Nacional de Saúde!