O #Benfica ganhou e foi campeão nacional de futebol pelo segundo ano consecutivo. Podia ser assim o início de uma história de domingo, mas não foi. O Benfica não precisou de ganhar, empatou em Guimarães, mas o eterno rival, o FC Porto, ao empatar em Belém, acabaria por deixar os adeptos encarnados a fazer uma festa anunciada e preparada para a praça do Marquês de Pombal, em Lisboa. Aliás, tudo estava pronto para os festejos. Tudo, é como quem diz; havia uma enorme estrutura à volta da estátua do Marquês mas nada para fora da rotunda. 

Cheguei pouco depois das 15 horas para um passeio. Apenas uma faixa na rotunda estava cortada ao trânsito para circulação dos camiões que ajudavam à montagem da estrutura, transportavam o equipamento de som e imagem que iria animar a noite.

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Aquela hora já circulavam centenas de adeptos, trajados a rigor. Uns queriam ir para a festa mais cedo. Outros pensavam que o Marquês iria "transmitir" a bola. Mas, acima de tudo, davam um colorido à rotunda e aos "pés" do Parque Eduardo VII. As TV's tinham a sua estrutura montada entre as avenidas Fontes Pereira de Mello e a António Augusto Aguiar. No topo o edifício da EDP uma bateria de câmaras apontavam à rotunda, ainda vazia. Ensaiavam planos para a festa da noite.

Quando começou o jogo, adeptos desceram aos quiosques da avenida para espreitar a transmissão de Guimarães. A zona do Marquês ficou mais vazia. Apenas com circulação de pessoas. À volta da rotunda, nas ruas adjacentes, qualquer café ou esplanada com televisão tinha casa cheia. Um manto vermelho, com cor-de-rosa, amarelo e preto pelo meio, começava a desenhar-se.

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O jogo ia correndo sem golos. O FC Porto ganhava em Belém. Pairava pelo Marquês a fé de que a festa iria realizar-se mas, ao mesmo tempo, uma apreensão enorme. Ou o Benfica ganhava ou precisava do empate do Belenenses para fazer a festa. Passam os minutos. À volta do Marquês a estrutura que preparou a festa continua a sua azáfama a preparar a luz e o som. Há apreensão, olhos postos em qualquer televisão ou ouvidos no rádio. 

A cinco minutos do fim dos jogos uma explosão sentiu-se por todo o Marquês. Explosão de gritos daqui e dali. O Belenenses tinha marcado. Se os adeptos começam a ficar mais irrequietos os profissionais das TV's, que estavam a "hibernar" começam a correr. Todos aos seus lugares. Todos em posição para as imagens da festa. Cinco minutos depois acaba o jogo em Belém mas ainda corre em Guimarães. Começam as primeiras imagens do Marquês a sair em simultâneo com o jogo que estava atrasado.

Ainda o jogo não tinha acabado e começa a sentir-se a festa. Começam a chegar adeptos.

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Muitos. Aos magotes. Às centenas. As tv's colocam o seu pessoal fora dos reservados para ouvir povo, para irem para o meio da festa. Ainda há circulação de automóveis na rotunda do Marquês, mas são poucos os carros. 

A partir daqui, a policia chega e encerra o trânsito. Os adeptos começam a chegar às centenas. Às 21 horas arranca a festa com música para cerca da 1 da madrugada, já com os jogadores, sendo lançado fogo de artifício. 

Seja como for, fica para a história o 34º campeonato para o clube da águia. Fica a festa. Fica a cor. E fica um enorme manto vermelho que varreu o Marquês, o País e o mundo.