O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é um tratado internacional datado de 1990, cujo objectivo passa pela padronização das regras de ortografia em todos os países de língua oficial portuguesa. A sua entrada em vigor, há muito expectável, não tem sido pacífica, longe disso. Muitas foram as polémicas que se ergueram em torno desta nova forma de escrever, a qual contou com um período de adaptação de 6 anos. Mas, após esta fase de transição, manter-se-ão os portugueses a escrever como lhes foi ensinado nas escolas?

Há países em que as novas regras de escrita já estão activas e completamente implementadas, como é o caso específico do Brasil.

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Há aqueles que, como Portugal, estão ainda a passar por um processo lento de habituação. No entanto, há depois outros, como Angola e Moçambique, em que as transformações ortográficas não foram sequer aceites pelo parlamento. Assim, embora o objectivo deste acordo passasse por colocar um ponto final em duas formas divergentes de escrever na Língua Portuguesa, uma no Brasil, e outra nos restantes países da CPLP, o facto é que, sem a mudança ortográfica em Angola e Moçambique, mantêm-se duas versões ortográficas oficiais da Língua Portuguesa. Terá sido válido o esforço dos portugueses?

Quem se mostra a favor do acordo advoga alguns argumentos que não podem ser deixados de parte. Em primeiro lugar, a tendência de optarmos pelo português do Brasil é mais vantajosa porque, de todos os países da CPLP, é o maior em termos de população e de número de falantes da língua.

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Em segundo lugar, é de salientar que a queda das consoantes mudas é benéfico para quem aprende a língua pela primeira vez, visto essas letras não se pronunciarem oralmente, como é o caso de "aspecto", "acta" e "objectivo". Em terceiro lugar, esta mudança não é a primeira a ser operada na língua portuguesa, visto a forma de escrever já ter sofrido modificações, sobretudo em 1911 e 1945.

Contra a implementação deste novo Acordo Ortográfico estão milhares de portugueses com memória, pois a História sempre lhes ensinou que foram os seus antepassados navegadores que levaram a sua língua aos quatro cantos do mundo. Os portugueses já a utilizavam muito antes de a utilizarem os brasileiros, os angolanos ou os guineenses. Reensinarem-nos a utilizá-la ao fim de tantos séculos é quase exterminar a "Língua de Camões". Não podemos, nem devemos, uniformizar as regras de escrita tendo em conta a dimensão do país ou o número de falantes da língua. Trata-se simplesmente de uma forma de discriminação e de um atentado à diversidade e riqueza do dialecto. #Educação