O #Benfica conquistou o seu 34º título de campeão nacional, primeiro bicampeonato em mais de 30 anos. O palco da festa foi o Marquês de Pombal, em Lisboa, para onde confluíram muitos milhares de benfiquistas, para celebrar com os seus heróis. A festa encarnada é um fenómeno único a nível mundial e demonstra a importância dos adeptos na vida do clube. Após o apito final de Artur Soares Dias no V. Guimarães - Benfica e confirmado que o nulo era suficiente para que os encarnados se sagrassem campeões (dado o empate do FC Porto no Restelo), começou a romaria dos benfiquistas àquele que já consideram o palco das festas encarnadas. Os números apontam para a presença de centenas de milhares de adeptos que, trajados a rigor e de cachecóis e bandeiras na mão, aguardaram a chegada da comitiva até ao início da madrugada.

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À mesma hora, em Espanha, o Barcelona tornava-se campeão, ao bater o At. Madrid no Camp Nou por 1-0. O sentimento de alegria dos adeptos "blaugrana" não terá sido menor que o dos benfiquistas mas... não se detectam sinais de festa que se possam comparar ao que aconteceu em Lisboa e um pouco por todo o Mundo. 

A Sociologia ensina-nos que o ser humano tende a formar grupos, identificando pontos de convergência com outros indivíduos para se integrar num conjunto em que possa estar mais protegido ou, na inversa, ter mais poder. Em Portugal, à falta de outros factores agregadores, a adesão aos clubes desportivos é um fenómeno social de grande dimensão e raros são os que ficam alheios a ser benfiquista, sportinguista ou portista, para destacar os clubes que agregam mais de 90% das preferências.

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O Benfica é, há muito, o "clube do povo", recolhendo a simpatia de adeptos que se espalham por todo o Mundo. Os números variam dos famosos "6 milhões de benfiquistas" em Portugal aos mais de 20 milhões se adicionarmos os emigrantes e os angolanos, moçambicanos, cabo verdianos, guineenses, são tomenses e timorenses que torcem pelo Benfica e também o consideram "seu". Nem as dificuldades financeiras que o clube atravessa e o obrigam a vender os seus melhores jogadores, ano após ano, diminuem o entusiasmo que a legião encarnada dedica ao clube.

O recordes do clube são reconhecidos pelas principais instituições do futebol, com a FIFA a identificar o Benfica como clube com mais sócios (detém o recorde do Guiness) e a UEFA a apontá-lo como o clube europeu com maior percentagem de adeptos no seu país (cerca de 47%, segundo estudo de 2014). A importância deste estatuto é confirmada pela polémica levantada pelo Bayern, que chama a si o estatuto de maior clube do Mundo, e pelas visitas de muitos clubes para "aprenderem" a estratégia de captação de sócios dos encarnados.

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As palavras de agradecimento público do presidente, treinador e jogadores contribuem igualmente para o reforço do sentimento de pertença dos benfiquistas que sentem as vitórias como suas, utilizando os festejos, também, como uma catarse para os problemas pessoais que a crise económica que afecta o país lhes vão levantando. Fechados os festejos os benfiquistas retomam as suas vidas e voltam a ser cidadãos "normais", no entanto, a sua atenção continua focada nos assuntos do clube e nas interrogações sobre a continuidade de Jorge Jesus, a renovação de Maxi Pereira ou as possíveis vendas de Gaitan ou Sálvio.

Nota final para condenar o comportamento de algumas franjas de adeptos "desalinhados" e para enaltecer a intervenção apaziguadora do capitão Luisão, uma das grandes figuras da equipa#Primeira Liga Portuguesa