Vem o bom tempo e o povo diz: - Vamos para a praia! Mas que praia? Aquela que tem mar e areal, e latas  e refrigerantes, sacos de plástico por todo o lado, nadadores salvadores... Não! Eu fico por aqui, nesta verdura refrescante, das fragas e riachos de água cristalina. Cheio de água de sal estou eu cheio. Agora fico por aqui. Vou subir à montanha e encontrar-me com Deus. Vou sentar-me no terraço da casa granítica e beber o meu café de máquina, bem quentinho e olhar as aves a edificar.

As gravatas dos deputados e políticos não me seduzem, gostava de vê-los por aqui e olhar para suas caras e verem a felicidade e tranquilidade do homem montanhês.

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Nunca os partidos se deslocam às zonas mais recônditas de Portugal; aparecem sim, na hora de caçar os votos, no meio de promessas platónicas. Deixarei que o tempo lhes faça ver, que quando não houver mais nada para ver nas cidades cosmopolitas, eles chegarão cá para sentirem a consciência tão pesada que só vão querer fugir, emigrar, enfiar a cabeça na areia. Sei lá o que mais vão conseguir fazer... 

Meu pai veio do campo, da lavra do meu avô, e da resma de tios. Eu fiz-me citadino bem cedo, com os olhos postos no campo. Havia algo que por mim chamava. Era como algo ancestral, algo que vinha dentro do sangue trágico. Levei com o mundo nas costas, rastejei, vi a morte chamar por mim, mas não era tempo para morrer. O meu legado tinha ser escrito e deixado ao simples irmão de caminhada.

Neste caminho tortuoso, de pedras da calçada rindo-se de mim, de tagarelas sem eira nem beira, de mulheres filtradas por outros, e gente, muita gente...

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um mar de gente banhando um cérebro fértil de acontecimentos. Que poderia mais fazer, se não aproveitar a primeira escapadela consciente da minha vida. Tinha que ser feito, ou então encontrava novamente a morte a chamar por mim e dessa vez, certamente não teria a mesma sorte. Assim, deixei que o caminho começasse de novo, não com a mesma vitalidade física, mas com um poder psíquico que até eu me surpreendi.

Fui! E vocês de que estão à espera para se encontrarem?  #Curiosidades