Em 2014, após ter rebentado o escândalo relativo à falência do Banco Espirito Santo, o #Governo de Pedro Passos Coelho vangloriou-se por ter conseguido realizar uma operação de capitalização sem prejuízo para os contribuintes. As dúvidas sempre foram muitas e os diversos elementos associados à operação em causa só foram sendo de conhecimento público após a Comissão Europeia (CE) começar a questionar a informação disponibilizada. Recentemente, e através de um estudo realizado pela Eurostat, a CE divulgou que a informação enviada pelo Governo português é omissa e tenta disfarçar o peso da capitalização do Banco nas contas públicas. Na verdade, e sendo consumada a venda do Novo Banco por um valor abaixo dos 4,9 mil milhões de euros, o défice orçamental apresentado pelo governo irá ser aumentado e, por consequência, são os contribuintes que estão a pagar novamente os erros da gestão privada em instituições financeiras.

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Basicamente, desta vez não foram só os portugueses a ser enganados, mas a própria CE foi também alvo das manobras de diversão do Governo para utilizar verbas públicas em instituições financeiras privadas. Neste caso, Portugal notificou a CE de acordo com o Procedimento dos Défices Excessivos, em que o valor total da operação não afetava o défice orçamental, pois a operação era na sua totalidade uma transação financeira. No entanto os 4,9 mil milhões de euros utilizados para a capitalização do banco foram conseguidos através de um Fundo de Resolução. De acordo com as normas, estes fundos são considerados como instituições públicas e dessa forma todo o valor envolvido na operação tem impacto direto nas contas do Estado. Mas o buraco financeiro em que os contribuintes portugueses foram colocados sem serem previamente consultados não acaba aqui, pois 3,9 mil milhões de euros tinham sido emprestados pelo Tesouro, que por sua vez teve de recorrer a empréstimos, em relação aos quais está a pagar juros que também agravam o défice.

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E foi esta uma das melhores operações de sempre do nosso Governo, que não custou um cêntimo ao povo português?

Podemos estar todos muito enganados, mas ou estamos perante um grupo de governantes que necessita rapidamente de pessoas devidamente graduadas em finanças ou então o seu nível de conhecimento é tão elevado que, para além de tentarem enganar constantemente a população que governam, tentam também ano após ano enviar relatórios deturpados para a CE. #Bancos