A banca portuguesa está em total colapso e vamos ver em breve mais instituições financeiras a fechar as portas. Depois do BPN e BES, temos o BANIF em restruturação e recentemente começou a ser levantado o véu sobre a situação precária que vive o Montepio. Neste último caso as diversas entidades reguladoras já começaram a descartar-se por falta de poderes para uma maior intervenção e solicitaram em conjunto uma intervenção por parte do Estado português, que em sete meses continua sem tomar qualquer medida. Muito em breve iremos provavelmente assistir ao desaparecimento de mais uma casa centenária, por culpa direta da inércia estatal em alterar a legislação de supervisão sobre as instituições financeiras, e milhares de clientes vão ficar de mãos a abanar.

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Depois de termos assistido ao caso BES, em que foi concluído que as falhas na supervisão, para além de graves, foram também possivelmente propositadas, agora estamos perante um caso de conflito de interesses na supervisão sobre o Montepio. O Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF), que é composto por Banco de Portugal (BdP), Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASSFP), enviou em Outubro de 2014 uma carta à ministra das Finanças expondo a situação delicada que se vive no grupo Montepio Geral (Banco e Associação Mutualista) e na qual nenhum deles pode intervir. Em causa está o facto de a Associação Mutualista ser tutelada pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, e não responder perante nenhum outro supervisor financeiro.

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Já o Banco Montepio, por pertencer ao sector financeiro, encontra-se sob a tutela do Ministério das Finanças e é fiscalizado pelo BdP. Em suma, ninguém pode travar o colapso desta instituição a não ser o próprio #Governo, quer seja de forma direta ou indireta mudando a legislação em vigor.

Os prejuízos do Banco vão-se acumulando ano após ano, pois os resultados apresentados referentes ao ano de 2014 foram novamente negativos num total de 187 milhões de euros. No grupo Montepio Geral existem as duas entidades já referenciadas, que apesar de serem presididas pela mesma pessoa (Tomás Correia), são totalmente distintas. Neste caso, e uma vez que uma delas (Associação Mutualista) não pode ser fiscalizada financeiramente ao abrigo das leis em vigor, fica criado um conflito de interesses que piora o cenário já nada risonho para esta instituição, tal como noticiado no passado dia 07 de Maio pelo jornal Público. O risco aumenta cada vez mais para os 650 mil associados da Associação Mutualista, que tem toda a sua gestão de ativos no Banco Montepio.

Uma vez mais estamos perante a inércia dos nossos governantes em atuar para evitar um novo escândalo financeiro. Os avisos foram feitos, mas ninguém se importa e quando a “bomba” rebentar veremos quais os impactos para a nossa economia, e por consequência qual será o valor que o Estado português irá ter de disponibilizar para tapar o buraco criado. #Bancos