Quatro décadas de liberdade ainda não foram suficientes para acabar com a pobreza que reinava no tempo da Ditadura. Continuamos com idosos em pobreza extrema, crianças a passar fome. Mas terá a nossa jovem democracia caminhado no sentido correto? Quero crer que sim, mas não na totalidade. As pessoas foram-se acomodando às promessas levianas dos políticos, querendo acreditar que um dia eles vão cumprir o que prometem. Certo é que com a nossa entrada para o Mercado Único ficámos mais limitados nas nossas decisões políticas e económicas. O dinheiro que vai entrando para os cofres do Estado vindo do Banco Central Europeu traz obrigações e a isso não podemos fugir.

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Já não estamos no tempo do pós-revolução, em que tudo era permitido, até mesmo nacionalizar o que era privado. Agora privatiza-se o que é estatal e que só dá prejuízo para os contribuintes, afogados em impostos.

Sempre pensei que com o decorrer do tempo pudéssemos ser a Suíça do Atlântico. Chegámos a ter condições para o fazer, mas os maus gestores do dinheiro público e as incertezas políticas levaram-nos para caminhos opostos.

Homens agarrados ao poder há quarenta anos, em todos os partidos, só provaram que acima do interesse nacional estavam interesses de carreiras políticas e fizeram do Parlamento a sua profissão, angariando riqueza que não lhes pertencia. Nunca tivemos um Gandhi ou um Martin Luther King. Tivemos talvez gente oportunista, que em nome da sua ideologia ou do seu partido colocou o país na cauda da Europa.

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Todo o processo de democratização da nossa sociedade teve que passar por várias etapas. As mais duras de gerir serviram para tirar ilações para o futuro. Fica na minha mente que, ao contrário dos nossos antepassados, hoje em dia somos uns perdedores, conscientes que vamos melhorar a nossa condição de cidadãos. Ser perdedor não é sinónimo de incompetência nem de falta de visão para o futuro. É a falta de confiança que nos leva a ser perdedores. Mas o pessimismo advém das incongruências dos nossos políticos que dão "uma no cravo e outra na ferradura".

O nosso povo é trabalhador, esforça-se até mais do que necessário para levar o país para a frente, mas em contrapartida os deputados parlamentares perdem-se em guerras ideológicas, como se o povo estivesse interessado nisso. O povo quer melhores condições de vida, quer ter dinheiro para pagar os estudos aos filhos, quer pôr o pão na mesa, não quer saber de lutas partidárias. As lutas partidárias são para os ideólogos dos partidos que, em vez de resolverem os problemas do seu povo, querem justificar as suas posições no Parlamento. Isto parece-me mais conversas de mesa de café e não de trabalho. #Governo