Existem dois mundos diferenciados pela condição elitizada da sociedade. Um é o da política e seus intervenientes e o outro é do cidadão comum, que se vê obrigado a aceitar as decisões do primeiro. Impõem-se as ideias políticas à consciência social de qualquer cidadão, e isso a #História recente da nossa democracia tem comprovado. Nenhum primeiro-ministro até hoje cumpriu o essencial das suas promessas eleitorais, tendo quase sempre como desculpa para não as cumprir as heranças de governos anteriores.

Costumo dizer que "com o mal dos outros posso eu bem", difícil é cumprir o que se promete em campanha eleitoral, e nisso não poderei dizer bem da seriedade dos nossos governantes.

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Quando tivermos um primeiro-ministro que tenha a coragem de ir contra todos os lobbies instalados na sociedade e olhar para o sofrimento do povo como se de um filho se tratasse, aí sim, teremos a sociedade a caminhar para um justo e solidário bem comum.

A vaidade é inimiga da competência, da justeza das afirmações com sentido social. A aldeia global portuguesa não seria difícil de gerir se o ser humano fosse o centro das atenções e não o sentido materialista das coisas. Antes de qualquer decisão que mexa com a vida das pessoas, os nossos governantes deviam pensar e refletir quanto mal podem fazer e como facilmente podem destruir a vida de uma família. Agora eu faço uma pergunta: Com que direito é que um governante tem mais regalias do que um cidadão comum ou funcionário do Estado? A igualdade de oportunidades está na Constituição e um membro da equipa de #Governo não tem que ter regalias acrescidas.

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Está lá para trabalhar como qualquer cidadão comum. Mas motorista? Segurança? Casa paga pelos contribuintes? Mas o que é isto?

Os próprios governantes são os primeiros a fazer a diferença de classe, a discriminar o cidadão comum, a porem-se no alto do pedestal. É por estas e outras coisas que temos uma sociedade tão injusta e com falta de sentido social. No fundo, é a nova burguesia que nos está a governar e não os representantes do povo. Às vezes começo a pensar se na época de poucas novas tecnologias, como nos anos 80 do século passado, o país não seria mais feliz, mesmo não tendo tanta oferta de consumíveis.

Quando a democracia estabilizou, e caminhou-se para uma verdadeira representação parlamentar, sem ameaças do radicalismo de esquerda, Portugal seguiu normalizado para os dias de hoje, onde unicamente os partidos de direita e o partido socialista têm legitimidade parlamentar para gerir os destinos do país. Mas nos anos 90 do século passado, como já frisei atrás, o governo da altura dividiu o país como se de um tratado de Tordesilhas se tratasse.

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Temos uma linha vertical que separa o país em duas partes distintas, uma ligada ao litoral, desenvolvida, e com excesso populacional, e outra parte, o interior, esquecida, abandonada à sua sorte, mas que as pessoas dessas terras fazem lutas titânicas para sobreviverem à desertificação.

Dar subsídios para não produzir não cabe na cabeça de ninguém. Não olhar ao real interesse das populações, já de si numa faixa etária avançada, e tirar-lhes serviços de saúde, serviços de utilidade pública, não tem perdão possível. A frieza com que as decisões são tomadas, sem olharem à condição humana, só pode ser uma monstruosidade de quem não tem o mínimo de sensibilidade. D. Afonso Henriques deve andar aos pulos no seu túmulo, de tanta negligência por parte dos nossos conterrâneos em Portugal.