Admito, não sou nenhum santo. Também insulto os árbitros, também perco a cabeça, também digo coisas na hora em que estou a ver #Futebol que não diria certamente se estivesse a jantar com a minha família. Somos humanos, é normal que em momentos de grande emoção possamos perder a cabeça, mas nada justifica a violência, a brutalidade e a parvoíce em volta do futebol português nos dias de hoje.

Sim, os árbitros erram, tal como os jogadores, treinadores e até nós adeptos. Somos todos humanos, cada um com a sua função. Portanto, todos estamos sujeitos a errar, e, na verdade, todos nós somos árbitros na nossa vida pessoal, estamos constantemente a avaliar os atos dos outros, a reagir ao que acontece à nossa volta, a julgar coisas à primeira vista, e, no fundo, é isso que um árbitro faz.

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E se cada vez que julgássemos mal uma pessoa ou uma situação na nossa vida tivéssemos logo pessoas a ameaçarem a nossa família? E se quando a primeira impressão que tivéssemos de uma situação fosse completamente errada e fossemos agredidos? Todos nós erramos no nosso trabalho, que aluno nunca chumbou num teste ou faltou a uma aula? Ou se portou mal na sala de aula? Que secretária nunca se esqueceu de dar um recado? Que professor nunca deu uma nota injusta a um aluno sem se aperceber do que estava a fazer? Estamos todos sujeitos a errar, a grande diferença é que nós não somos insultados e agredidos cada vez que acontece, é estranho não é? A diferença de tratamento perante erros na profissão é realmente curiosa.

Não estou com isto a defender que os árbitros não sejam punidos com os erros, obviamente que têm que ser.

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Todos nós quando erramos temos de enfrentar as consequências e os árbitros não são exceção. Mas eu pergunto: Quantos falhanços incríveis já perdoámos a excelentes avançados? Quantos frangos inacreditáveis já perdoámos a excelentes guarda-redes? Quantas substituições erradas já perdoámos a magníficos treinadores? Por que não finalmente perceber que os árbitros fazem parte do jogo e podem errar, tal como todos os outros elementos? A resposta é nunca. Tal nunca vai acontecer e isso deve-se à mentalidade pequenina e à falta de fairplay existente no nosso país. Aqui ter fairplay não é cumprimentar os teus adversários antes dos jogos, ter fairplay é saber ganhar, saber perder, saber empatar, já para não falar da mentalidade dos nossos adeptos. O que é giro é chegar ao trabalho no dia a seguir e sentir-me superior porque a equipa que apoio ganhou um jogo de futebol à equipa que o meu colega do lado apoia, que sensação magnífica não é? Um jogo onde, curiosamente, nós não tivemos interferência absolutamente nenhuma, mas, ainda assim, achamos que somos superiores ao rapazinho que está ao nosso lado, em que a única coisa que lhe aconteceu foi a sua equipa favorita perder um jogo.

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Sim, eu também gosto de picar os meus amigos, de brincarmos com as derrotas e vitórias dos nossos clubes, mas sempre com o respeito que essas pessoas merecem, assim como os intervenientes no jogo. Mas a verdade é que o árbitro é a fuga mais fácil, a necessidade de ficarmos sempre por cima é tão grande que o árbitro é a pessoa indicada a atacar. Somos sempre os melhores, jogamos sempre mais, mas, curiosamente, temos todos o mesmo azar: o árbitro rouba-nos.